BRK avalia adiar primeiro IPO no Brasil em 5 anos em meio a tensão global, dizem fontes

Empresa controlada pela Brookfield Asset Management e pelo FI-FGTS tinha como meta levantar cerca de R$ 4 bilhões na oferta pública inicial de ações, mas avalia a piora nas condições de mercado por conta dos conflitos no Oriente Médio, segundo a Bloomberg News

BRK Ambiental
Por Rachel Gamarski - Leda Alvim
09 de Março, 2026 | 02:06 PM

Bloomberg — A BRK Ambiental Participações, que havia iniciado discussões preliminares para uma oferta pública inicial de ações, está considerando adiar sua estreia em meio a uma piora nas condições de mercado por conta dos conflitos no Oriente Médio, segundo pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pela Bloomberg News.

A companhia é uma das maiores empresas de saneamento do Brasil, atendendo cerca de 16 milhões de pessoas em mais de 100 municípios.

PUBLICIDADE

A BRK é controlada pela Brookfield Asset Management e pelo FI-FGTS e tinha como meta levantar cerca de R$ 4 bilhões na oferta, disseram as pessoas, que não estão autorizadas a falar publicamente sobre o assunto.

Entre os fatores contrários ao IPO estão o selloff generalizado nos mercados globais em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, bem como questões específicas da companhia após sua recente vitória no leilão de concessão no estado de Pernambuco, disseram as pessoas.

Leia também: Vale Base Metals quer estar pronta para IPO até o meio do ano, diz CEO

PUBLICIDADE

A BRK afirmou que não houve mudanças em sua estratégia ou nos preparativos para um IPO. A empresa disse à Bloomberg News que continua em negociações com o mercado, levando em consideração as condições macroeconômicas, entre outros fatores.

Os investidores aguardavam com expectativa a primeira oferta primária de ações no Brasil desde 2021, e espera-se que o Banco Central inicie um ciclo de afrouxamento monetário em março.

Mas, após um início de ano forte, o índice Ibovespa caiu 5% na semana passada, seu pior desempenho semanal desde 2022. Os mercados acionários globais têm enfrentado volatilidade diante das preocupações dos investidores com a guerra no Irã e o impacto da alta do petróleo sobre a inflação.

PUBLICIDADE

“No Brasil, os investidores estavam se planejando para fazer ofertas no fim do 1T26 ou 2T26, após o início do ciclo de corte de juros e antes da eleição virar o principal assunto. Contudo, o conflito no Irã pode acabar fechando essa janela curta antes das eleições”, disse Fernando Siqueira, chefe de análise da Eleven Financial. As eleições presidenciais serão realizadas em outubro.

Leia também: Agibank estreia após primeiro IPO de empresa brasileira na NYSE desde o Nubank

O conflito no Oriente Médio impactou parte das apostas de cortes de juros no país, com operadores reduzindo expectativas diante do temor de uma possível alta da inflação.

PUBLICIDADE

Embora o mercado ainda espere amplamente que a autoridade monetária inicie o ciclo de afrouxamento na próxima semana, os contratos de juros agora apontam para um corte de 25 pontos-base, segundo dados de segunda-feira.

Recentemente, duas empresas brasileiras viram suas ações caírem após abrirem capital nos Estados Unidos, em meio ao apetite mais fraco dos investidores e à turbulência nos mercados.

O PicPay, aplicativo de banco digital controlado pela holding de investimentos da família Batista, acumulava queda de 26% até o fechamento de sexta-feira, enquanto as ações da AGI — conhecida como Agibank — recuavam mais de 12% desde seu IPO.

Leia também: BRZ rescinde acordo de ‘IPO reverso’ que poderia colocar nova incorporadora na bolsa

A rival Aegea Saneamento e Participações segue em conversas com investidores sobre uma potencial oferta de ações que poderia ocorrer até meados do ano, possivelmente em paralelo à privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais, a Copasa, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Veja mais em bloomberg.com