Bloomberg — A Lego descarta a possibilidade de delegar o projeto de seus icônicos conjuntos de montagem à inteligência artificial, apostando, em vez disso, na criatividade humana para prolongar uma sequência de receitas recordes e ganhos de participação de mercado.
Essa postura estabelece um limite quanto ao grau de adoção da IA pela fabricante dinamarquesa de brinquedos, à medida que a tecnologia se espalha rapidamente para o trabalho criativo, com empresas utilizando-a em diversas áreas, desde publicidade e imagens até vídeos e conceitos de produtos.
O CEO Niels B. Christiansen afirma que a Lego continua adotando a IA em outras áreas do negócio, particularmente em tarefas administrativas e padronizadas.
“Nunca haverá um produto feito exclusivamente por IA”, afirmou Christiansen em entrevista. “Será sempre o designer quem realizará o trabalho criativo.”
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A IA ainda pode desempenhar um papel no trabalho relacionado ao processo criativo. Christiansen destacou a produção dos manuais de montagem da Lego, onde algumas tarefas padronizadas poderiam ser realizadas com ferramentas de IA, da mesma forma que os designers adotaram outras tecnologias ao longo dos anos.
O objetivo, disse ele, é tornar os designers mais produtivos e liberar mais tempo para o trabalho criativo.

Por enquanto, essa abordagem liderada por humanos está dando resultados. Na terça-feira, a Lego divulgou vendas e lucros recordes no primeiro semestre, com a receita total saltando 21%, para 41,9 bilhões de coroas (US$ 6,5 bilhões), ou mais do que o triplo da receita de suas rivais Hasbro e Mattel. A empresa continuou a conquistar participação de mercado mesmo com os consumidores enfrentando guerras, tensões comerciais e um panorama econômico mais incerto, afirmou Christiansen.
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“Tivemos um primeiro semestre muito forte” nos EUA, na Ásia e na Europa, afirmou Christiansen. “Não se trata de um único país. É algo muito, muito abrangente em diversos mercados.”
No entanto, a China é a exceção. Christiansen afirmou que os consumidores locais continuam mais cautelosos e que a Lego não está observando o mesmo ritmo de crescimento que em outros mercados após vários anos de desempenho mais fraco. Ainda assim, a empresa mantém seus planos de expansão, continuando a abrir lojas e a investir na marca enquanto aguarda a recuperação da demanda.
“Há realmente muitas crianças na China, e é um mercado extremamente interessante”, disse Christiansen. “Simplesmente há alguma incerteza e uma relutância em gastar no mercado chinês de maneira mais ampla.”
Em outros lugares, a Lego tem continuado a encontrar novas fontes de crescimento ao se expandir para áreas onde antes tinha uma presença menor.
O futebol tem sido uma delas este ano, com a empresa lançando produtos relacionados à Copa do Mundo e a estrelas como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Christiansen citou a incursão nesse esporte como um exemplo da estratégia da Lego de alcançar novos grupos de consumidores.
No total, a empresa lançou 332 novos conjuntos no primeiro semestre de 2026, de acordo com seu relatório de resultados.
“A máquina está funcionando muito bem, e temos tudo sob controle”, disse Christiansen. “Mas não há garantias.”
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