Bradesco Asset planeja expansão em Miami com interesse global por ativos brasileiros

Demanda estrangeira pelo país está no nível mais alto dos últimos 15 anos, diante de um cenário macroeconômico global que favorece a diversificação para além dos mercados desenvolvidos, segundo Priscila Ramirez, executiva de desenvolvimento de negócios da gestora em Miami

Unidade do Bradesco Principal, voltado para alta renda, na Avenida Faria Lima com JK
Por Leda Alvim - Felipe Saturnino

Bloomberg — A Bradesco Asset Management tem planos de fortalecer a operação em Miami com novas contratações e ampliação da oferta de produtos, em resposta à crescente demanda de investidores estrangeiros interessados em ativos brasileiros.

“Miami está se tornando nosso principal ‘hub’ offshore”, disse Ricardo Eleutério, diretor da Bradesco Asset, que detém mais de R$ 1 trilhão em ativos sob gestão.

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Como parte da expansão, a Bradesco Asset irá transferir Clayton Rodrigues, atualmente responsável por soluções de índices e investimentos internacionais, para Miami no segundo semestre deste ano. Ele assumirá o cargo de chefe de gestão de portfólios na unidade e se juntará a Roger Freitas, contratado em fevereiro para liderar a distribuição offshore nos Estados Unidos, e ao gestor de portfólio Eiji Aono.


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Priscila Ramirez, executiva de desenvolvimento de negócios da asset em Miami, afirmou que o interesse estrangeiro pelo Brasil está no nível mais alto dos últimos 15 anos, diante de um cenário macroeconômico global que favorece a diversificação para além dos mercados desenvolvidos.

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O Ibovespa, principal índice acionário da bolsa brasileira, registrou forte valorização no início do ano, impulsionado por expressivas entradas de capital estrangeiro, com investidores passando a enxergar a América Latina como uma alternativa de diversificação em relação aos Estados Unidos.

O Brasil também tem sido beneficiado pela alta dos preços do petróleo — já que é exportador líquido da commodity —, além do elevado diferencial de juros oferecido pelo real, fator que também atrai fluxos de capital.

Os investidores estrangeiros já colocaram mais de R$ 40 bilhões na B3 neste ano. Enquanto isso, o real figura entre as moedas com melhor desempenho no mundo.

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“Nossa estratégia é levar nossa ‘expertise’ em Brasil para o não-residente”, disse Eleutério. “De início, o nosso foco está muito voltado para institucionais, como grandes fundos de pensão e seguradoras, mas também temos conversas com outros alocadores de Brasil.”

Outras regiões

Além de Miami, a Bradesco Asset também ampliou sua presença em regiões como Ásia, Europa e América Latina.

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Há pouco mais de um ano, a gestora firmou parceria com a China Asset Management Co. e a China Universal para lançar ETFs que acompanham ações chinesas listadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen.

Os fundos, negociados na bolsa brasileira sob os códigos TECX11 e PKIN11, oferecem aos investidores locais exposição a ações da China continental por meio dos índices ChiNext e CSI 300.

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Segundo Eleutério, expandir a atuação na China por meio de parcerias com instituições locais e da distribuição de produtos como ETFs tem sido uma das principais prioridades da gestora.

“Temos diversas iniciativas em andamento como parte da estratégia offshore, e a China é extremamente importante”, afirmou.

Na América do Norte, a Bradesco Asset estuda oportunidades em países como México e Canadá, com Roger Freitas liderando essa iniciativa. No futuro, a gestora espera fortalecer ainda mais sua presença internacional para atender tanto clientes estrangeiros quanto brasileiros.

“Ao reforçar a estratégia norte-sul, a gente espera ajudar investidores estrangeiros a entender um pouco melhor o Brasil, levando para o exterior parte da ‘expertise’ que temos no mercado local. E, na estratégia sul-norte, trazer um pouco do mundo para os brasileiros”, disse Rodrigues.

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