Banco de dinastia que financiou de papas a imperadores pode estar à venda, dizem fontes

Fundado por descendente da dinastia Fugger, o banco com € 7 bi sob gestão pode ser vendido pela VIG após aquisição da controladora Nuernberger, segundo fontes que falaram à Bloomberg News

Um busto de Jakob Fugger no complexo de habitação social Fuggerei em Augsburg, Alemanha. Fotógrafo: Martin Leissl/Bloomberg
Por Marton Eder - Arno Schütze
21 de Março, 2026 | 12:23 PM

Bloomberg — A família Fugger foi, outrora, uma das dinastias bancárias mais influentes da Europa, construindo rotas comerciais e emprestando dinheiro a Papas e Imperadores do Sacro Império Romano-Germânico. Agora, um banco privado fundado por um de seus descendentes pode estar prestes a ser colocado à venda.

A Vienna Insurance Group AG (VIG) está se preparando para vender o Fuerst Fugger Privatbank AG, um pequeno gestor de fortunas fundado em 1954, de acordo com pessoas familiarizadas com os planos.

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Uma decisão pode ocorrer após a VIG finalizar a aquisição da Nuernberger Versicherung AG — atual proprietária do banco — no segundo semestre do ano, disseram as fontes, pedindo anonimato porque o plano ainda não foi anunciado publicamente.

Números e ativos

O banco privado faz a gestão de quase € 7 bilhões (R$ 42 bilhões) em ativos, provenientes majoritariamente de clientes de alto patrimônio e de uma rede de intermediários.

A VIG avalia o banco atualmente em cerca de € 120 milhões, mas o interesse elevado devido à sua licença bancária europeia pode elevar o preço, afirmou uma das pessoas.

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Nenhuma decisão final foi tomada sobre a venda, e os planos dependem da conclusão da transação da Nuernberger pela VIG. Representantes da VIG, do Fuerst Fugger e da Nuernberger preferiram não comentar.

Um legado histórico

Sediado no palácio renascentista da família Fugger em Augsburg, a firma carrega um dos nomes mais célebres da história europeia.

A família ascendeu nos séculos XV e XVI, quando supervisionava uma das redes mais amplas de minas de metais preciosos, casas comerciais e bancos da Europa.

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O financiamento dos Fugger ajudou na ascensão da dinastia dos Habsburgo e a sua influência se estendeu ao Vaticano e à nobreza europeia, conforme a história da família.

A proeza financeira da família terminou no século XVII, após várias moratórias soberanas na Espanha.

Os Habsburgo ainda devem somas astronômicas aos Fugger, embora não tenha havido tentativas de recuperar o dinheiro desde o Congresso de Viena em 1815, afirmou a descendente, Condessa Maria-Elisabeth Thun-Fugger, em uma entrevista à revista Wirtschaftswoche em 2016.

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“Ainda gosto de mencionar isso sempre que encontro um membro da família Habsburgo”, brincou ela na entrevista.

A família hoje

Os descendentes atuais vivem da receita de 3.200 hectares de florestas na Alemanha e outros ativos, que também ajudam a financiar operações de caridade, incluindo um dos primeiros projetos de habitação popular do mundo.

A Fuggerei, de 500 anos, ainda cobra o equivalente a um florim renano — ou 88 centavos de euro (R$ 5,33) — e três orações diárias como aluguel anual em Augsburg para seus 150 habitantes.

O Fuerst Fugger Privatbank foi fundado por Friedrich Carl Fuerst Fugger-Babenhausen, que buscou trazer as finanças da família para a sua própria instituição. Foi adquirido pela seguradora Nuernberger em 1999, mas o banco ainda utiliza o legado secular da família para atrair negócios.

A instituição empregava 144 pessoas e registrou um lucro líquido de €13,6 milhões (RS 82,42 milhões) em 2024.,

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