Bloomberg Línea — A Amil tem a menor sinistralidade entre as operadoras de saúde do país e se consolida como ativo estratégico com potencial de atrair fundos de private equity, na visão de analistas do JPMorgan.
O banco americano divulgou neste domingo (28) sua primeira análise sobre a operadora após o jornal O Estado de S. Paulo revelar que Bain Capital e Advent teriam submetido conjuntamente uma proposta de aquisição da Amil em transação que poderia valorizar a empresa em cerca de R$ 10 bilhões. Amil, Bain Capital e Advent não se pronunciaram.
A assessoria da Amil respondeu à Bloomberg Línea que a companhia não comenta “especulações de mercado”. A empresa tem 3,5 milhões de beneficiários e receita anual superior a R$ 30 bilhões.
O JPMorgan reconhece a ausência de confirmações oficiais do caso, mas avalia o movimento com atenção. “Onde há fumaça, há fogo”, escreveram os analistas Joseph Giordano e Guilherme Vilela.
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A frase resume o que o banco considera a pergunta central do mercado: o que pretende fazer com a Amil seu controlador, José Seripieri Filho, conhecido como Junior, que comprou a operadora da americana UnitedHealth e a reconstruiu em menos de três anos?
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A Amil é hoje a terceira maior operadora em número de beneficiários no Brasil, atrás de Hapvida (HAPV3) e Bradsaúde (SAUD3), e tem receita comparável à da SulAmérica, subsidiária da Rede D’Or (RDOR3).
Sua base está fortemente concentrada em São Paulo, onde vivem cerca de 60% de seus beneficiários, com outros 23% no Rio de Janeiro. Do total de clientes, 82% estão em planos corporativos.
O dado que ancora a análise do banco é a sinistralidade: 78,7% em 2025, contra média de 82,1% do setor. O indicador mede quanto cada operadora gasta em consultas, exames e internações para cada R$ 100 arrecadado em mensalidades. Quanto menor, mais dinheiro sobra. A Amil gastou R$ 78,70 para cada R$ 100 recebido. A média do setor foi de R$ 82,10.
A diferença pode parecer pequena, mas numa indústria que movimenta centenas de bilhões de reais, representa uma vantagem competitiva significativa.
O combined ratio, indicador mais amplo que inclui também as despesas administrativas, reforça o mesmo diagnóstico: 91,8% na Amil contra 93,9% da indústria, ou seja, o desempenho operacional da Amil supera o de concorrentes de maior porte e mais tempo de mercado.
Em termos de valuation, o JPMorgan calcula que a proposta noticiada implica um múltiplo de cerca de 6,5 vezes o lucro ajustado dos últimos 12 meses, assumindo que a oferta representa 100% do negócio sem estruturas intermediárias.
O valor é significativamente inferior ao da Rede D’Or (RDOR3), negociada a cerca de 16,5 vezes, e em linha com o da Hapvida (HAPV3).
O relatório menciona ainda o nome de Irlau Machado, ex-CEO da NotreDame Intermédica, como possível retorno ao setor caso a Bain Capital avance no negócio.
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Para o JPMorgan, a sinalização sugere que o fundo buscaria replicar na Amil o modelo que tornou a Intermédica referência de eficiência antes de sua fusão com a Hapvida em 2022, baseado em disciplina de precificação, controle de custos médicos e otimização de rede.
O ponto de tensão, segundo o Estado de S. Paulo, está na posição de Junior, que estaria mais inclinado a vender uma participação minoritária do que transferir o controle da operação.
Para os concorrentes, os efeitos não seriam homogêneos. O JPMorgan classifica o noticiário como negativo na margem para a Hapvida (HAPV3). Uma Amil mais capitalizada pode intensificar a pressão sobre a base de beneficiários da operadora cearense, que ainda executa sua própria virada operacional com equipe de gestão renovada.
Para a Rede D’Or (RDOR3), recomendada como compra pelo banco, e para a Bradsaúde (SAUD3), os riscos aparecem como mais limitados. A Amil já rescindiu credenciamentos com hospitais relevantes da Rede D’Or, e sua expansão recente está concentrada nos planos de entrada e médio padrão, segmento distante do mercado premium corporativo no qual Rede D’Or e Bradsaúde atuam com mais força.
A virada operacional da Amil já produz efeitos além de seus próprios números. Em parceria com a Dasa (DASA3), maior rede de diagnósticos do Brasil, a operadora contribuiu para o primeiro resultado positivo da Rede Américas, joint venture hospitalar entre as duas empresas, desde o terceiro trimestre de 2025.
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