Bloomberg — O Alibaba criou uma unidade de negócios para concentrar seus serviços e iniciativas de desenvolvimento de IA sob um único guarda-chuva, em sinal de que busca lucrar com a inteligência artificial.
A empresa transferiu a equipe de pesquisa responsável pelos modelos Qwen, a divisão de aplicativos voltados ao consumidor e os principais produtos de IA para uma unidade liderada pelo CEO Eddie Wu.
Batizada de Alibaba Token Hub, a nova divisão também passa a supervisionar o aplicativo DingTalk, semelhante ao Slack, e os dispositivos da marca Quark, como óculos inteligentes, segundo memorando de Wu aos funcionários analisado pela Bloomberg News.
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A reestruturação ocorre em meio a questionamentos sobre a estratégia de IA do Alibaba após a saída repentina do principal líder de pesquisa da Qwen.
A proposta é intensificar a interação entre as equipes envolvidas no esforço de IA, da pesquisa ao desenvolvimento e ao design de produtos.
O movimento também reforça a ênfase na monetização da tecnologia: o nome da divisão faz referência direta às unidades de computação cobradas dos usuários.
As ações da empresa chegaram a subir 3,4% em Hong Kong na terça-feira, superando o mercado.
O Alibaba não informou se a mudança virá acompanhada de novos investimentos, mas a reorganização busca aprimorar o discurso de vendas para clientes corporativos e ampliar a adoção do Qwen — modelo semelhante ao GPT que colocou a empresa entre os primeiros líderes de IA na China.
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Empresas chinesas de IA, do Alibaba à MiniMax, enfrentam mais dificuldades que rivais ocidentais, como a OpenAI, para converter avanços tecnológicos em receita, diante da menor disposição dos consumidores locais para pagar por assinaturas.
A predominância de modelos de código aberto e gratuitos amplia a diferença de monetização em relação a concorrentes norte-americanos, como a Anthropic.
“A ATH foi construída em torno de uma única missão: criar, entregar e aplicar tokens”, escreveu Wu no memorando.
“Liderarei a ATH diretamente, com a incumbência de coordenar estrategicamente nossos negócios de IA, incorporar a tecnologia à forma como trabalhamos e preservar a agilidade que nos permite avançar rapidamente.”
O Alibaba, que divulga resultados trimestrais na quinta-feira, concentrou-se inicialmente na venda de soluções de IA e computação em cloud para empresas antes de atualizar seu aplicativo Qwen para consumidores no ano passado.
Ainda assim, o aplicativo permanece atrás do Doubao, da ByteDance, mesmo após bilhões de yuans em promoções durante o Ano Novo Lunar. Com a nova reestruturação, a empresa tende a direcionar mais recursos ao segmento corporativo.
Na terça-feira, o Alibaba apresentou um serviço de IA agêntica voltado a empresas, em mais uma tentativa de capitalizar o interesse por assistentes capazes de executar tarefas. Chamado Wukong — em referência ao Rei Macaco da mitologia chinesa — o serviço utiliza o modelo Qwen e foi desenvolvido com mecanismos de segurança de dados, segundo executivos no evento de lançamento, confirmando reportagem anterior da Bloomberg News.
A ferramenta pode ser acessada por site ou via DingTalk e deve se integrar gradualmente a outras plataformas, como Slack, Microsoft Teams e WeChat, da Tencent. Também incorporará serviços comerciais como o Taobao e a fintech Alipay, de acordo com a empresa.
No evento, o CEO do DingTalk, Chen Hang, destacou o potencial do Wukong para empresas operadas por uma única pessoa, apoiadas por agentes de IA e automação. Ele demonstrou como profissionais como advogados, donos de restaurantes, designers e empreendedores podem gerir negócios inteiros com a ferramenta.
Wu, responsável pela área de IA do Alibaba, não participou do lançamento. Cofundador da empresa, ele acumula desde 2023 os cargos de CEO do grupo e da unidade Alibaba Cloud.
No ano passado, apresentou um plano para desenvolver uma oferta completa de IA, incluindo hardware, e prometeu investir mais de US$ 53 bilhões na tecnologia.
O que diz a Bloomberg Intelligence
O Alibaba Token Hub deve funcionar como uma estrutura interna semelhante ao grupo de comércio eletrônico liderado por Jiang Fan, criado em 2024, com foco em maior coordenação e velocidade de desenvolvimento em IA.
Apoiada pelo ecossistema amplo da companhia, a abordagem integrada pode acelerar a monetização e se tornar uma vantagem estrutural frente a concorrentes com menor alcance de plataforma, segundo os analistas Catherine Lim e Jason Zhu.
Ainda assim, a saída recente de Junyang Lin, arquiteto da Qwen, gerou incertezas.
Figura central na transição do Alibaba para a IA, Lin liderou o desenvolvimento da série de modelos que sustenta os principais produtos da empresa e que figura entre os mais bem avaliados globalmente.
Nos dias seguintes, o Alibaba buscou conter especulações de novas saídas na equipe.
--Com a ajuda de Felix Tam e Debby Wu.
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