A BMW planeja recuperar margens de lucro com linha simplificada e veículos mais caros

Montadora busca reverter a queda da rentabilidade e pretende simplificar operações e elevar margens automotivas para 3% a 5% em meio à pressão da concorrência chinesa

Montadora quer reduzir custos de peças em até 30% na China em plano para recuperar margens (Foto: Divulgação)
Por William Wilkes - Tim Loh
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Bloomberg — A BMW planeja recuperar suas margens por meio da simplificação de seus negócios, da redução de custos e da venda de carros mais caros, segundo analistas da Bernstein que participaram do Capital Markets Day da empresa.

A montadora alemã está tentando recuperar a lucratividade depois que a guerra de preços em curso na China e os pesados gastos com a reformulação de sua linha de carros elétricos reduziram os retornos.

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A administração tem como meta elevar as margens do setor automotivo para 3% a 5% até 2028 e atingir sua meta de longo prazo, de 8% a 10%, no início da próxima década, escreveu o analista da Bernstein, Stephen Reitman, em uma nota na quarta-feira (30).

Os executivos da BMW apresentaram as informações aos analistas e investidores na terça-feira (29) e publicarão as metas financeiras atualizadas ainda nesta quarta-feira, no segundo e último dia do CMD em Munique.


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As metas de médio prazo são “decepcionantes”, escreveu o analista sênior do setor da Bloomberg Intelligence, Michael Dean, em uma nota. Alcançar a meta de uma margem automotiva de 8% a 10% “foi adiado”, com poucos detalhes sobre como isso será alcançado, acrescentou Dean.

Até recentemente, a BMW se destacava como a mais resiliente entre as montadoras alemãs, impulsionada por uma estratégia flexível para veículos elétricos e uma linha de produtos com forte presença no segmento premium. Essa distinção desapareceu com um importante alerta de queda nos lucros em junho, à medida que a recessão cada vez mais profunda na China, a acirrada concorrência local e os enormes custos da eletrificação pressionaram as margens.

A BMW e suas concorrentes europeias enfrentam forte concorrência de fabricantes chineses emergentes em seus mercados domésticos, ao mesmo tempo em que sofrem quedas acentuadas nas vendas na China, o maior mercado do mundo. Isso as privou de uma lucrativa fonte de receita da qual dependiam há anos.

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O desafio do CEO Milan Nedeljkovic é recuperar a rentabilidade sem deixar de financiar a tecnologia e os novos modelos de que a BMW precisa para se manter competitiva. Entre suas primeiras medidas esteve o corte de cerca de 8.000 postos de trabalho, pouco mais de 5% de sua força de trabalho.

Leia também: Crise e concorrência na China derrubam vendas de BMW e Volkswagen

“A mensagem financeira da BMW é que 2026 será um ano de transição, com a lucratividade prevista para se recuperar em etapas”, escreveu Reitman.

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A Bernstein classifica a BMW como outperform, com um preço-alvo de 82 euros. Após fechar a 54,50 euros na terça-feira, as ações subiram até 1,8% em Frankfurt na quarta-feira. Elas registram queda de cerca de 40% neste ano.

A primeira etapa da recuperação da empresa é a simplificação. A BMW pretende reduzir uma oferta que, segundo admite, se tornou complexa demais, encurtar os prazos de desenvolvimento e aprofundar as parcerias com fornecedores.

Na China, a empresa também está reduzindo sua rede de concessionárias e adquirindo componentes locais mais padronizados, o que poderia reduzir o custo dessas peças em 20% a 30%, afirmou a Bernstein, citando o diretor financeiro Walter Mertl.

Os planos da BMW de obter retornos mais elevados por meio da redução de custos correm o risco de ficar aquém das expectativas, à medida que o setor passa por uma mudança fundamental, segundo analistas do Citigroup.

“O sentimento dos investidores está claramente preocupado com uma deterioração muito mais estrutural do setor, o que, por sua vez, exigiria uma resposta muito mais estrutural da BMW”, escreveram eles. O Citi mantém uma classificação neutra para a BMW, com um preço-alvo de 64 euros.

Leia também: BMW aposta em diversificação para liderar o mercado premium no Brasil, segundo a CEO

A empresa sediada em Munique aposta que modelos mais caros e com margens de lucro mais elevadas possam ajudar a elevar os lucros. Ela planeja um novo SUV acima do X7, seu atual carro-chefe no segmento, mais carros M de alto desempenho e um papel mais importante para a Alpina, a marca que está posicionando entre sua linha de luxo convencional e a Rolls-Royce.

Sua nova geração de carros elétricos é outro pilar da recuperação, com os pedidos europeus do iX3 já ultrapassando 100.000, afirmou a Bernstein.

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