Bloomberg — O presidente Donald Trump intensificou a pressão sobre o Federal Reserve para que reduza as taxas de juros, ameaçando interromper o comércio com certas economias com as quais os Estados Unidos apresentam déficit, caso o banco central americano não tome medidas.
Trump divulgou suas exigências na sexta-feira (4) em uma longa postagem nas redes sociais, após um relatório de emprego de agosto acima do esperado, o que poderia reforçar os argumentos a favor de um aumento das taxas pelos dirigentes do Fed em sua próxima reunião de política monetária, com início em 15 de setembro.
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Em sua postagem, o presidente exortou o presidente do Fed por ele escolhido a dedo, Kevin Warsh — a quem chamou de “ótimo” —, e os membros do conselho a “agirem com sensatez” e “SEREM PATRIOTAS, para variar”.
“REDUZAM AS TAXAS OU DEIXAREI DE NEGOCIAR COM OS PAÍSES COM OS QUAIS TEMOS UM DÉFICIT”, postou Trump. “Taxas de juros altas colocam os EUA em uma desvantagem muito injusta, e não permitirei que isso aconteça!”
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Trump afirmou que a Suprema Corte dos Estados Unidos, que derrubou seu regime tarifário anterior, havia reconhecido sua autoridade para fazê-lo. No entanto, caso ele prossiga com embargos comerciais, isso quase certamente desencadearia uma contestação judicial.
Não está claro como tal ação ajudaria a reduzir os custos de endividamento dos Estados Unidos.
Mais tarde, na sexta-feira, Trump rejeitou a ideia de que um aumento nas taxas tranquilizaria os mercados de títulos, que estão preocupados com a dívida e a inflação, afirmando que os Estados Unidos deveriam ter uma taxa de 1% ou inferior.
“Isso não tranquiliza o mercado de títulos”, disse Trump sobre o aumento das taxas de juros. “Deveríamos estar em 1% ou meio por cento; não deveríamos estar em 4%.”
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Trump também defendeu sua ameaça de interromper o comércio com certas economias, citando a Suíça, o México e a União Europeia como exemplos de parceiros que se beneficiaram de seus laços com os Estados Unidos.
“Temos países considerados de elite financeiramente, como a Suíça e outros. Mas se não fizéssemos comércio com eles, seriam países falidos”, afirmou Trump. “Eles são considerados de elite porque temos déficits enormes com eles. Temos o direito de não fazer comércio. Temos o direito de impor tarifas a eles.”
A mensagem de sexta-feira mostra que Trump está perdendo a paciência com o Fed apenas alguns meses depois que Warsh assumiu o lugar de Jerome Powell, a quem o presidente atacava rotineiramente por causa das decisões de política monetária do banco.
Trump havia reduzido sua campanha de pressão contra o Fed depois que Warsh assumiu a presidência, mas a postagem equivale a um retomada dessa campanha. Os índices de aprovação do presidente despencaram antes das eleições de meio de mandato de novembro, já que as pesquisas mostram que os americanos criticaram duramente sua gestão do custo de vida e da guerra no Irã.
O crescimento do emprego nos Estados Unidos registrou um aumento inesperado em agosto, com a criação de 162 mil postos de trabalho no setor não agrícola, e a taxa de desemprego manteve-se estável. Em resposta, os investidores intensificaram as apostas em um aumento das taxas na próxima reunião do Fed, levando as ações e os títulos de curto prazo a uma queda.
Trump, que costuma apresentar o mercado de ações em alta como justificativa para suas políticas, reagiu com indignação à queda em uma postagem posterior.
“Acabamos de receber ÓTIMOS números sobre o mercado de trabalho; o mercado deveria subir, pois nosso crédito e nossa economia estão melhores, mas, como sempre, nos últimos 25 anos, o mercado de ações cai, porque vivemos sob uma falsa realidade de que, se as coisas estão bem, é preciso ‘ACABAR COM ISSO’ por causa do ‘medo’ da inflação”, afirmou Trump.
O presidente, em suas postagens, foi ainda mais longe do que seu principal assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, que na manhã desta sexta-feira afirmou que os números do emprego reforçavam os argumentos para manter as taxas de juros inalteradas.
“Respeitamos a independência do Fed, mas acho que o argumento para manter as taxas estáveis seria bastante forte”, disse Hassett à CNBC.
-- Com a colaboração de Jennifer A. Dlouhy.
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