NTN-B tem rali ‘estelar’ com Flávio Bolsonaro, e mercado espera mais alívio

Movimento levou alguns vencimentos de volta a juros reais abaixo de 7%, nível mais baixo desde novembro de 2024

Brazil Fights Cratering Real With Two Dollar Auctions In A Day
Por Felipe Saturnino - Beatriz Amat - Barbara Nascimento
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Bloomberg — As taxas das NTN-Bs, títulos do Tesouro Nacional atrelados à inflação, afundaram com a liderança de Flávio Bolsonaro no primeiro turno da eleição.

O movimento levou alguns vencimentos de volta a juros reais abaixo de 7%, nível mais baixo desde novembro de 2024, e gestores ainda veem espaço para mais alívio.

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A queda marca uma virada para um mercado que vinha pressionado há meses pelas preocupações com a trajetória da dívida pública e pela concorrência das debêntures incentivadas.


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O Tesouro passou semanas com dificuldades para vender os papéis e as taxas chegaram a bater 8,8% em junho. Agora, os investidores apostam que uma mudança de governo abrirá espaço para um ajuste fiscal e consequente queda da Selic, embora o candidato da oposição ainda não tenha detalhado seu plano econômico.

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“Os títulos atrelados ao IPCA tiveram um desempenho estelar após o resultado das eleições”, disse Thierry Larose, gestor da Vontobel Asset Management em Zurique. “Os atuais juros reais ainda parecem atrativos dado o prospecto de uma política fiscal mais ortodoxa e reformas institucionais significativas.”

As taxas para a NTN-B com vencimento em maio de 2029, por exemplo, cederam mais de 50 pontos-base, para o nível de 6,90%, na terça-feira. Já os juros reais das NTN-B para maio de 2031 cederam 70 pontos.

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A guinada nesse mercado já provoca reposicionamento de carteiras. Pablo Salgado, gestor da família Optimus da Itaú Asset, disse que o fundo está iniciando uma posição, ainda pequena, aplicada — que ganha com a baixa — nos vencimentos de 2027 a 2029.

O motivo é a expectativa de adoção de uma política econômica que traga “muito espaço para acelerar o ritmo de cortes” da Selic pelo Banco Central. “A queda na implícita foi tão grande que começamos a ficar animados com aplicar o juro real”, afirmou Salgado, em relação à taxa de inflação calculada a partir dos títulos públicos.

As taxas dos papéis atrelados à inflação ainda podem registrar quedas adicionais, sobretudo nos vencimentos mais longos, na avaliação de Raghav Adlakha, estrategista quantitativo de renda fixa para mercados emergentes do Bank of America Merrill Lynch.

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“Como o Brasil há muito embute um prêmio de risco fiscal elevado — com juros reais entre os mais altos dos mercados emergentes —, ainda há espaço para uma compressão adicional das taxas”, disse Adlakha.

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