Bloomberg — Os mercados de ações asiáticos podem enfrentar dificuldades na abertura nesta manhã de segunda-feira (11), com investidores cautelosos na região, enquanto, nos mercados de moedas, o iene estava em destaque após comentários potencialmente hawkish do presidente do Banco do Japão (BOJ), Kazuo Ueda.
Os futuros da Austrália registraram pequenos ganhos, enquanto um indicador de ações chinesas listadas nos EUA caiu. Os contratos para o Japão mostraram um pequeno ganho, embora tenham sido liquidados antes da entrevista com o presidente do BOJ ter chegado ao mercado. Hong Kong reabriu após o fechamento na sexta (8) devido a fortes chuvas.
O iene fortaleceu-se em relação ao dólar após Ueda sugerir que pode haver informações suficientes até o final do ano para avaliar a trajetória dos salários, o que é um fator crucial na decisão de política monetária do BOJ. Isso alimentou especulações de que as taxas de juros negativas e o controle da curva de rendimentos podem estar perto do fim.
A moeda fortaleceu-se perto de 1%, para 147 ienes por dólar, nas primeiras negociações da Ásia. Alguns também atribuíram a tensões geopolíticas a força do iene, depois que o presidente dos EUA, Joe Biden, afirmou que os problemas econômicos da China diminuíram sua capacidade de invadir Taiwan.
O dólar enfraqueceu em relação a outras moedas principais após uma recente alta que resultou em uma sequência recorde de ganhos semanais. A força do dólar é impulsionada pelas expectativas de que o Federal Reserve manterá taxas de juros mais altas em comparação com a situação econômica global.
O Índice Bloomberg Dollar Spot registrou na sexta a sua oitava semana consecutiva de alta - a mais longa sequência desde 2005. O avanço levou seu Índice de Força Relativa de 14 dias acima de 70 - o que é visto por alguns em Wall Street como um sinal de mercado sobrevendido.
O presidente do Federal Reserve Bank de Nova York, John Williams, disse na quinta passada que a política monetária dos EUA está “em um bom lugar”, mas os funcionários precisarão analisar os dados para decidir como proceder em relação às taxas de juros. Sua colega de Dallas, Lorie Logan, observou que abrir mão de um aumento das taxas de juros na próxima reunião de política do banco central pode ser apropriado, mas também sinalizou que as taxas podem ter que subir mais para levar a inflação de volta a 2%.
Nesta semana, investidores ficam atentos à divulgação na quarta-feira (13) do Índice de Preços ao Consumidor (o CPI, na sigla em inglês) de agosto dos EUA, uma semana antes da próxima reunião do Fed.
Os futuros de ações dos EUA tiveram pouca variação no início da segunda-feira, após movimentos modestos no final da semana, com o S&P 500 subindo após três dias de queda.
As ações da Nvidia e da Tesla pesaram no setor de megacaps de tecnologia, enquanto a Apple se recuperou após uma queda que apagou cerca de US$ 190 bilhões em valor de mercado apenas alguns dias antes do lançamento do iPhone 15, de novos smart watches e dos mais recentes AirPods.
A crescente ameaça de taxas de juros permanecerem mais altas por mais tempo provavelmente afetará as perspectivas de um “pouso suave” para a economia dos EUA e levará a uma venda de ações nos próximos dois meses, segundo estrategistas do Bank of America liderados por Michael Hartnett.
A probabilidade consensual de um hard landing é de “cerca de 20%”, mas o petróleo, o dólar e os rendimentos dos títulos permanecerem elevados, bem como condições financeiras mais apertadas, “continuam sendo o risco de setembro a outubro”, apontaram.
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