Bloomberg Línea — O Ibovespa (IBOV) fechou em alta de 0,38%, aos 131.116 pontos, influenciado principalmente pelos ganhos da Petrobras (PETR3; PETR4) em um dia de avanço dos preços do petróleo diante do aumento das preocupações com o conflito entre Irã e Israel.
Os papéis preferenciais da petroleira subiram 2,54%, a R$ 37,44, e foram a maior contribuição positiva para o índice em volume. Já as ações ordinárias subiram 3,12%, a R$ 40,59, e lideraram entre as maiores altas do dia.
O dólar (USDBRL) cedia -0,09% e operava a R$ 5,50 ao fim do pregão na B3.
Investidores também repercutiram nesta segunda novas declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e do diretor de política monetária, Gabriel Galípolo, que reforçaram o compromisso em reduzir a inflação para a meta.
Galípolo afirmou que uma alta da taxa de juros “está na mesa” e que a ata do Copom não trouxe nenhum tipo de guidance, deixando as opções do colegiado em aberto. Segundo ele, o BC seguirá analisando os dados disponíveis para tomar as próximas decisões.
Já Campos Neto afirmou em palestra durante a manhã que que o BC tem tido “uma mensagem inequívoca e consensual” de que vai fazer “o que for preciso” para trazer a inflação para a meta de 3% ao ano, “independente de quem seja o presidente, de qual mandato”.
Campos Neto também reforçou que as decisões do BC são técnicas e que as expectativas de inflação desancoradas são um motivo de preocupação do BC.
O relatório Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda voltou a apresentar uma revisão para cima nas projeções para a inflação este ano, após dados do IPCA acima do esperado em julho.
Os economistas consultados pela autoridade monetária veem agora alta de 4,20% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2024, acima dos 4,12% esperados anteriormente. Para 2025, a previsão é de 3,97%, ante 3,98% na semana passada.
As estimativas para os demais indicadores, contudo, foram mantidas: crescimento de 2,20% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024, câmbio a R$ 5,30 em dezembro e Selic a 10,50% ao ano. Para 2025, economistas estimam a Selic em 9,75% e um crescimento do PIB de 1,92%.
Entre os ativos, a sessão foi de ganhos para os principais bancos. O Itaú Unibanco (ITUB4) ficou entre as principais contribuições positivas em volume, enquanto Bradesco (BBDC4), Banco do Brasil (BBAS3), Santander Brasil (SANB11) e BTG Pactual (BPAC11) também avançaram.
A Vale (VALE3) recuou 0,35%, a R$ 56,86, enquanto o Magazine Luiza (MGLU3) teve perdas de 0,38%, a R$ 12,91. Ambos ficaram entre as principais contribuições negativas em volume.
Já a Azul (AZUL4) cedeu 11,69%, a R$ 7,02, e foi a maior baixa do Ibovespa depois da divulgação do balanço do segundo trimestre. A companhia aérea registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 744,4 milhões no período, pior que a estimativa de consenso de analistas, de R$ 599,5 milhões, segundo a Bloomberg.
Estados Unidos
Em Nova York, os principais índices de ações iniciaram a semana com desempenho misto, enquanto investidores aguardam a divulgação de uma série de indicadores econômicos durante a semana. O aumento das tensões geopolíticas também reduziram o apetite ao risco.
Wall Street ainda se recupera das oscilações da segunda-feira passada e muitos investidores evitam fazer grandes apostas enquanto aguardam mais sinais sobre a saúde da economia dos Estados Unidos. O petróleo atingiu US$ 80 e os títulos subiram, à medida que os EUA acreditam que um ataque iraniano contra Israel é cada vez mais provável.
Após a turbulência da semana passada, os mercados estão focados no Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) de julho, que será divulgado na quarta-feira, para avaliar se o Fed poderá fazer um corte de juros menor ou maior para garantir um “pouso suave”.
A expectativa é de que o índice de preços ao consumidor dos EUA tenha alta de 0,2% em julho na base mensal – tanto o índice cheio quanto o núcleo, que exclui itens mais voláteis como alimentos e energia.

-- Com informações da Bloomberg News








