Ibovespa cai com aversão a risco no exterior e após decisões de juros no Brasil e EUA

Corte do Copom reforça expectativa de novos cortes, mas combinação de Fed, petróleo em alta e tensão no Oriente Médio pesa sobre o apetite a risco global

Mercado Pago
19 de Março, 2026 | 11:25 AM

Bloomberg Línea — O Ibovespa (IBOV) voltou a operar do lado negativo nesta quinta-feira (19). Na véspera, o índice encerrou o dia em queda de 0,43%.

Por volta das 11h19, o Ibovespa caía 0,61% aos 178.536 pontos.

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O dólar, por sua vez, opera em queda em relação ao real. A moeda americana era negociada com recuo de 0,12% no mesmo horário, cotada a R$ 5,26.

Os investidores repercutem a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central que cortou sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. A decisão foi de encontro a maior parte das expectativas dos analistas consultados pela Bloomberg News.

Apesar do movimento, o tom do comunicado foi lido como mais brando (dovish) do que o esperado por algumas casas, incluindo Citi, Goldman Sachs e XP, o que reforçou a percepção de que novos cortes de juros estão no horizonte, ainda que condicionados à evolução do cenário geopolítico.

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Além disso, a decisão do Fed (Federal Reserve) de manter os juros no mesmo patamar, somada à alta do petróleo, cuja cotação do Brent já se aproximou de US$ 120 por barril, também pressiona os mercados.

Nos EUA, o S&P 500 recuava cerca de 1% e o rendimento dos Treasuries de dois anos subiu nove pontos-base, para 3,86%, à medida que os investidores passaram a descartar a possibilidade de corte de juros pelo Federal Reserve em 2026.

Desde o início do conflito no Oriente Médio, o petróleo do tipo Brent já subiu cerca de 55%. O gás natural europeu chegou a subir até 35%.

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“O humor é claramente de aversão a risco nesta manhã, com os mercados ainda digerindo uma combinação tóxica de geopolítica e comunicação dos bancos centrais”, disse Mathieu Racheter, chefe de estratégia de ações do Julius Baer à Bloomberg News.

“A nova escalada no Oriente Médio está reavivando temores de estagflação justamente quando os investidores começavam a se sentir mais confortáveis com a inflação até março.”

-- Com informações da Bloomberg News.

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