Bloomberg — Os futuros dos EUA operam perto da estabilidade nesta quarta-feira (15) enquanto investidores aguardam a confirmação de uma nova rodada de negociações no Oriente Médio. O petróleo WTI sobe mais de 1%.
O Stoxx 600 europeu também ficou estável, ignorando a queda de 8,8% da Hermès após uma atualização de vendas decepcionante. Na Ásia, o índice de blue chips da China recuperou as perdas desde o início da guerra com o Irã.
Os mercados de ações e títulos vêm retirando parte do prêmio de risco acumulado desde o início do conflito, à medida que EUA e Irã tentam organizar uma nova rodada de negociações. O presidente Donald Trump disse que as conversas podem ser retomadas “nos próximos dois dias” e que a guerra está “próxima do fim”.
O petróleo Brent reverteu perdas iniciais e subiu 1,4%, acima de US$ 96 o barril, enquanto os EUA avançam com o bloqueio naval do Estreito de Ormuz. Os rendimentos dos Treasuries subiram levemente, com a taxa de dois anos avançando dois pontos-base para 3,76%. O dólar ficou estável e o ouro recuou para perto de US$ 4.800 a onça.
“Diante de tanta incerteza, considero justificável voltar o foco para o cenário além da guerra”, disse Holger Schmieding, economista-chefe do Berenberg. “Um fator-chave para os mercados é que a corrida por liquidez relacionada à guerra acabou e está parcialmente se revertendo, o que favorece ativos mais arriscados.”
Os investidores estão voltando às ações mesmo sem um fim claro para o conflito, que já interrompeu cerca de um quinto da oferta global de petróleo e elevou o risco de inflação — o que ainda pode levar bancos centrais a apertar a política monetária.
As ações de tecnologia, em especial, têm sido recompradas após ficarem atrás do mercado durante boa parte do ano, com o Nasdaq 100 registrando sua maior sequência de altas diárias desde 2021.
“Os investidores provavelmente veem as Big Tech como relativamente mais seguras e menos sensíveis ao petróleo do que setores mais cíclicos”, disse Emmanuel Cau, do Barclays. “Uma combinação de compras sistemáticas e de varejo, além de rotação de outros mercados para ações dos EUA, está ajudando.”
Com a temporada de balanços em andamento, investidores monitoram sinais de impacto do conflito sobre os lucros e se empresas e consumidores estão reduzindo gastos.
Na Europa, a ASML teve ganhos modestos, com projeção anual mais forte compensada por um guidance mais fraco para o segundo trimestre. Nos EUA, Morgan Stanley e Bank of America devem divulgar receitas recordes com trading.
“A temporada de resultados já começou com força, e os investidores fazem perguntas diretas sobre o impacto das tensões geopolíticas nos lucros futuros”, disse Danni Hewson, da AJ Bell. “As pessoas tendem a adiar planos e gastos até se sentirem mais seguras — e essa mudança de comportamento pode levar tempo.”

🔘 As bolsas ontem (14/04): Dow Jones Industrials (+0,66%), S&P 500 (+1,18%), Nasdaq Composite (+1,96%), Stoxx 600 (+0,99%), Ibovespa (+0,33%)
Veja a seguir outros destaques desta manhã de quarta-feira (15 de abril):
- Conflito desafia BCs. O ministro da Fazenda do Brasil, Dario Durigan, disse em entrevista à Bloomberg News que uma guerra prolongada no Irã poderia forçar os bancos centrais a agir para conter a inflação. No Brasil, cortes na Selic seguem cautelosos e dependem do impacto do conflito sobre a inflação e as expectativas.
- Crise no luxo. As vendas da Gucci caíram 8% no 1º trimestre, quase o dobro do esperado, pressionadas pela guerra no Oriente Médio, que afetou o turismo e derrubou receitas na região. Apesar de mudanças na liderança e estratégia, investidores aguardam sinais de recuperação da principal marca do grupo.
- Futuro da guerra. O presidente dos EUA disse que o fim do conflito com o Irã está próximo e que pode não ser necessário estender o cessar-fogo de duas semanas negociado após quase seis semanas de combates. “Poderia terminar de qualquer maneira, mas acho que um acordo é preferível”, disse ele à ABC News.
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-- Com informações da Bloomberg News.
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