Ações globais sobem com expectativa de negociações entre EUA e Irã; petróleo recua

Otimismo com possível nova rodada de diálogos eleva apetite por risco, enquanto petróleo recua com perspectiva de menor pressão sobre oferta

NO RADAR DOS MERCADOS

Bloomberg — As ações globais operam em alta nesta terça-feira (14) com Irã e EUA considerando uma nova rodada de negociações de paz, o que eleva as expectativas de um cessar-fogo mais duradouro no Oriente Médio. O petróleo WTI cai quase 2%, cotado a US$ 97,13 o barril.

As bolsas europeias avançaram 0,8%, acompanhando os ganhos de Wall Street na segunda-feira, com otimismo de que um acordo ajudará a normalizar os fluxos de energia e conter o risco de uma espiral inflacionária global.

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Na Ásia, ações de tecnologia lideraram uma alta de 1,8%. Os futuros do S&P 500 subiram após o índice eliminar as perdas provocadas pela guerra, enquanto o Nasdaq 100 caminhava para sua sequência mais longa de ganhos desde 2021.

EUA e Irã avaliam negociações para estender um cessar-fogo de duas semanas, enquanto Trump avança com um bloqueio naval para conter as exportações de petróleo da República Islâmica. O objetivo é realizar novas conversas antes do fim da trégua, segundo fontes. As partes podem se reunir novamente em Islamabad ainda esta semana, informou a Reuters.

O Brent caiu 1%, para US$ 98,42 o barril, com a Agência Internacional de Energia estimando que a guerra eliminará o crescimento da demanda global por petróleo pela primeira vez desde a pandemia de 2020. O dólar caminha para o sétimo dia seguido de perdas. Os Treasuries ampliaram levemente a alta. O ouro subiu 1%, perto de US$ 4.800 a onça, enquanto o Bitcoin atingiu o maior nível em quatro semanas.

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“Os mercados já estavam inclinados a acreditar que a diplomacia continuaria de alguma forma”, disse Charu Chanana, estrategista-chefe de investimentos da Saxo Markets. “Esse sinal importa porque torna essa expectativa mais concreta, o que reforça o movimento de alívio nos mercados.”

Investidores também acompanham os resultados do primeiro trimestre, em meio ao impacto do conflito no Oriente Médio sobre as perspectivas econômicas. A LVMH caiu mais de 2% em Paris após queda nas vendas de sua principal divisão. JPMorgan, Wells Fargo e Citigroup divulgam resultados ainda nesta terça-feira.

“Há bom valor no mercado de ações dos EUA neste momento. Ele passou por uma reprecificação significativa e os lucros devem permanecer fortes”, disse Peter Oppenheimer, estrategista-chefe global de ações do Goldman Sachs, à Bloomberg TV.

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“Se continuarmos a ver moderação nos preços do petróleo e redução das preocupações com altas de juros, há espaço razoável para valorização.”

Ações globais nesta terça-feira (14) de abril de 2026
🔘 As bolsas ontem (13/04): Dow Jones Industrials (+0,63%), S&P 500 (+1,02%), Nasdaq Composite (+1,23%), Stoxx 600 (-0,16%), Ibovespa (+0,34%)

Veja a seguir outros destaques desta manhã de terça-feira (14 de abril):

- Negociação na Raízen. Os credores da empresa pediram até 90% da empresa em troca de 45% da dívida, acima dos 70% propostos pela companhia, segundo pessoas familiarizadas com o assunto que falaram com a Bloomberg News. A Raízen enfrenta um prazo legal até 6 de junho para chegar a um acordo extrajudicial.

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- Eleição no Peru. Keiko Fujimori lidera e caminha em direção ao o segundo turno, com discurso de ordem e agenda pró-mercado. A apuração da votação ainda está em andamento, mas a candidata mantém vantagem que deve levá-la à disputa de 7 de junho. O adversário ainda não foi definido.

- Impacto da guerra. O CEO do HSBC, Georges Elhedery, disse à Bloomberg Television que o conflito no Oriente Médio já afeta a confiança dos clientes em meio à volatilidade global. O executivo vê impactos potenciais em commodities como petróleo, fertilizantes e metais, embora saída de capital ainda seja limitada.

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-- Com informações da Bloomberg News.

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