Bloomberg — As ações na Ásia estão preparadas para seguir os ganhos dos índices de referência dos EUA após dados econômicos sólidos terem reacendido especulações de que o Federal Reserve será capaz de orquestrar um soft landing, mesmo se mantiver as taxas de juros altas por mais tempo.
O dólar se fortaleceu, o euro caiu e o petróleo estendeu sua alta nesta abertura de sexta-feira (15) na Ásia. Os contratos de futuros de ações para Hong Kong, Japão e Austrália avançaram. Os contratos de ações dos EUA também subiram após os ganhos no S&P 500 e no Nasdaq 100 na quinta-feira (14), à medida que as vendas no varejo e os preços no produtor, ambos de agosto, superaram as estimativas.
Enquanto isso, as ações da Arm Holdings dispararam 25% em sua estreia no mercado nesta quinta.
O euro caiu para o nível mais baixo em mais de cinco meses em relação ao dólar depois que o Banco Central Europeu elevou as taxas pela décima vez, enquanto o preço do petróleo em Nova York subiu depois de fechar acima de US$ 90 o barril pela primeira vez desde novembro de 2022.
“As ações estão mais altas após outra rodada de impressionantes dados econômicos dos EUA sugerir que o consumidor ainda está se saindo bem”, disse Edward Moya, analista de mercado sênior para as Américas na Oanda.
“Wall Street parece estar satisfeita com o risco de mais um aumento da taxa do Fed, pois a resiliência do consumidor é esperada para enfraquecer gradualmente. Enquanto a história de crescimento dos EUA ainda está viva, a perspectiva para a Europa permanece desanimadora à medida que os riscos de estagflação crescem”, avaliou em comparação com as duas regiões.
Os dados mais recentes reforçam a visão de que a economia dos EUA caminha para um período de crescimento moderado, evitando uma recessão nos próximos 12 meses, de acordo com Solita Marcelli, diretora de investimentos para as Américas na UBS Global Wealth Management.
“Isso deve apoiar as ações”, observou ela. “No entanto a incerteza provavelmente manterá os mercados de ações voláteis.”
Na Ásia, os investidores estarão monitorando de perto uma série de dados econômicos da China nesta sexta-feira, depois que o banco central do país reduziu - pela segunda vez neste ano - a quantidade de dinheiro que os bancos devem manter em reserva.
Ainda há informações que sugerem que uma economia superaquecida fornecerá mais argumentos para os integrantes hawkish do Fed que acreditam que um crescimento forte levará a pressões inflacionárias mais altas”, de acordo com Will Compernolle, estrategista macro da FHN Financial.
“As probabilidades ainda estão fortemente a favor de o Fed manter as taxas inalteradas na próxima semana, mas o gráfico de pontos mostram outro aumento mais tarde neste ano”, disse ele.
Os negociadores de títulos passaram a maior parte dos últimos dois meses preocupados com a inflação persistente e uma economia que parece se aquecer, segundo Chris Zaccarelli, diretor de investimentos da Independent Advisor Alliance. Os dados econômicos mais recentes apenas reforçaram essa visão, disse.
“O Fed indicou que deseja diminuir o ritmo de aumento das taxas de juros e, por essa razão, ainda é provável que mantenha as taxas inalteradas na reunião da próxima semana, mas todos os dados que estão chegando acima do esperado vão colocar pressão para aumentar as taxas novamente na reunião seguinte”, acrescentou Zaccarelli.
A alta do petróleo para acima de US$ 90 o barril é o mais recente marco em uma alta impulsionada pelos cortes na produção da Arábia Saudita e Rússia em meio ao consumo global recorde - e segue relatórios nesta semana alertando sobre a escassez nos próximos meses.
Os futuros avançaram até 0,6% nas primeiras negociações na sexta, com os preços subindo mais de 30% desde o final de junho.
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