Bloomberg Línea — A segunda-feira (9) traz uma agenda vazia de indicadores econômicos, com os investidores monitorando os impactos que o conflito entre Israel e Hamas podem ter nos mercados.
O confronto provocou um aumento nos preços do petróleo devido à preocupação de maiores tensões no Oriente Médio, onde um terço do petróleo mundial é produzido.
Analistas de petróleo dizem que as ações militares em Israel adicionaram um novo risco geopolítico a um mercado já agitado devido aos cortes na oferta, à queda nos estoques e ao temor de que os preços elevados afetem a demanda. No entanto, a Opep aumentou sua projeção de demanda até meados do século.
Os dados de inflação a serem divulgados esta semana em três importantes economias da América Latina destacarão as diferenças nas posturas monetárias dos diversos bancos centrais da região.
No Brasil, espera-se que a inflação de setembro prepare o terreno para outro corte de 50 pontos-base na taxa de juros na reunião de política monetária de novembro.
No México, os preços ao consumidor provavelmente continuaram sua tendência de queda, mas ainda estarão acima da meta. Enquanto isso, preocupações adicionais sobre as perspectivas de inflação devido à forte demanda interna e aos riscos associados às condições financeiras restritivas no exterior podem reforçar a orientação de que as taxas permanecerão inalteradas por um período prolongado.
Já na Argentina, é improvável que a inflação mensal de dois dígitos em setembro desencadeie qualquer resposta na política monetária.
Ainda no Brasil, foi divulgado o Relatório Focus, do Banco Central (BC), com apenas uma mudança nas projeções para indicadores econômicos em 2023.
Confira a seguir cinco destaques desta segunda-feira (9):
1. Relatório Focus
O relatório Focus, que consolida expectativas de economistas consultados pelo BC, não realizou mudanças nas projeções de indicadores econômicos para 2023 — exceto para o câmbio.
As estimativas seguem apontando para inflação de 4,86%, crescimento de 2,92% do PIB e Selic de 11,75% ao ano em dezembro. O dólar, por sua vez, teve a estimativa elevada para R$ 5,00, ante R$ 4,95 anteriormente.
Já para o próximo ano, foram elevadas as projeções para o IPCA, de 3,87% para 3,88%.
2. Hamas x Israel
O número de mortos no conflito entre Israel e o grupo palestino Hamas ultrapassa 1.100 enquanto os combates entram no terceiro dia. O conflito começou no sábado (7), após um ataque surpresa do Hamas na Faixa de Gaza.
Israel oficialmente declarou guerra e diz que não vai parar até que a infraestrutura militar do Hamas seja desmantelada, uma tarefa que parece provavelmente incluir uma invasão terrestre e deverá levar meses.
O exército israelense recuperou o controle de algumas áreas que foram invadidas por militantes da Faixa de Gaza nos ataques que eclodiram no sábado. Pelo menos 370 palestinos foram mortos em combates e ataques retaliatórios.
A operação do Hamas - que incluiu a tomada de dezenas de reféns israelenses - foi uma incursão sem precedentes que abalou a estabilidade regional e os mercados.
3. Mercados
O petróleo disparou depois que o ataque surpresa do Hamas a Israel levantou temores de um conflito mais amplo. Investidores estão evitando ativos mais arriscados, como ações, e preferindo aqueles considerados “porto seguro”, como dólar, ouro e títulos de renda fixa mais líquidos.
O West Texas Intermediate subiu mais de 5%, antes de reduzir o avanço, e um índice de força do dólar teve alta de 0,3%. Os futuros de ações dos EUA recuam nesta manhã.
O índice Stoxx 600 da Europa operava estável à medida que as ações de empresas de energia e defesa, incluindo Shell, BP, BAE Systems e Saab AB, se valorizaram. O ouro subiu 1%.
O shekel israelense enfraqueceu 2%, atingindo o nível mais baixo em sete anos, mesmo depois que o Banco de Israel lançou um programa sem precedentes para apoiar os mercados. O banco central planeja vender até US$ 30 bilhões em câmbio estrangeiro e estender até US$ 15 bilhões por meio de mecanismos de swap para apoiar os mercados.
4. Manchetes dos principais jornais
Estadão: Israel diz que retomou do Hamas o controle de cidades perto de Gaza e prepara ofensiva terrestre
Folha de S. Paulo: Israel diz ter retomado comunidades atacadas por Hamas e anuncia ‘cerco total’ a Gaza
O Globo: Israel faz mais de 500 ataques a Gaza e atinge campo de refugiados; número de vítimas é incerto
Valor Econômico: Israel faz convocação recorde de reservistas em escalada de conflito contra Hamas
5. Agenda
O dia não traz a divulgação de nenhum índice econômico.
-- Com informações da Bloomberg News
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