Como este bilionário planeja criar a ‘Champions League’ do salto a cavalo

Frank McCourt avalia que a modalidade do hipismo é subvalorizada e decidiu investir US$ 300 milhões para criar um torneio global com equipes reconhecíveis

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Bloomberg — O bilionário Frank McCourt acredita que o salto a cavalo profissional tem sido subvalorizado comercialmente há décadas. Agora, ele está investindo US$ 300 milhões para provar isso.

McCourt, de 72 anos, que fez fortuna no setor imobiliário e já foi proprietário do Los Angeles Dodgers, decidiu investir na Premier Jumping League (PJL).

A liga está prevista para ser lançada em 2027 e tem como objetivo transformar um dos passatempos mais antigos do mundo em uma liga global baseada em franquias.

O salto a cavalo, cujas origens remontam a 1865, já conta com competições consolidadas que atraem público e recursos financeiros, mas, segundo McCourt, o esporte carece de equipes reconhecíveis e de narrativas que se estendam por toda a temporada para manter os fãs engajados.

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A PJL está mirando alto. Ela planeja formar 16 equipes, sendo que duas já foram vendidas até o momento por US$ 50 milhões cada. A liga planeja vender mais duas equipes no primeiro ano antes de alugar as 12 restantes.

Elas selecionarão seus cavaleiros a partir de um grupo dos melhores do mundo. Como incentivo para que esses atletas de ponta se juntem à nova liga, ela está garantindo US$ 300 milhões em prêmios em dinheiro nas três primeiras temporadas, financiados por McCourt.

“Este é um esporte no qual bilhões e bilhões de dólares estão sendo investidos”, afirmou McCourt. “Simplesmente não há uma estrutura capaz de absorver esse investimento.”

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Os investidores têm injetado capital em propriedades esportivas emergentes, apostando que competições pouco desenvolvidas possam ser transformadas em valiosos negócios de mídia, patrocínio e franquias.

Muitas empresas emergentes têm proposto formatos diferentes. Isso inclui a TGL, uma liga de golfe indoor apoiada por Tiger Woods, e a SailGP, de Larry Ellison, uma competição de iates de alta velocidade.

Os investimentos no hipismo também cresceram significativamente na última década. Cavalos de ponta são vendidos regularmente por mais de US$ 10 milhões.

Os prêmios em dinheiro, no entanto, permaneceram relativamente estáveis, limitando as oportunidades de ganhos para os cavaleiros e impedindo o desenvolvimento comercial mais amplo do esporte, segundo McCourt.

McCourt afirmou que a PJL, que ele lançou em parceria com os executivos do setor de hospitalidade Neil Moffitt e Nick McCabe, pode mudar essa situação.

Em vez de reinventar o salto a cavalo, os fundadores da liga afirmam que se inspiram em propriedades esportivas de sucesso, incluindo a Fórmula 1 e a SailGP.

Seu objetivo é criar uma competição com duração de vários meses, com franquias reconhecíveis, um draft (sistema de escolha de atletas) e um calendário consistente, substituindo o que descrevem como um cenário fragmentado, no qual os melhores cavaleiros do mundo raramente competem entre si.

“Queremos ser a Champions League de um esporte já consolidado”, disse Moffitt, comparando a ambição da liga à principal competição de clubes de futebol da Europa.

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Moffitt disse que a ideia surgiu, em parte, ao assistir sua filha competir em nível de elite. Depois de atuar no circuito profissional, ela procurou-o disposta a pendurar as botas, afirmando que o esporte simplesmente não era sustentável, pois não rendia o suficiente para que ela se sustentasse sozinha.

“O esporte apresenta falhas fundamentais”, afirmou Moffitt.

Para resolver isso, a PJL planeja garantir US$ 100 milhões em prêmios em dinheiro em cada uma das três primeiras temporadas. Esse nível de prêmios superaria em muito os prêmios existentes.

O circuito Global Champions, que inclui tanto o Longines Global Champions Tour individual quanto a Global Champions League por equipes, ofereceu mais de 36 milhões de euros em sua temporada mais recente.

Os fundadores da PJL afirmaram que essa diferença poderia permitir que mais cavaleiros se sustentassem por meio das competições, em vez de dependerem de treinamento, comércio e venda de cavalos ou de patrocinadores abastados para financiar suas carreiras no mais alto nível do esporte.

A liga já começou a atrair investimentos externos. O investidor e piloto de corrida americano Jason McCarthy, cuja filha é saltadora júnior, adquiriu a primeira equipe em junho, com uma avaliação de US$ 50 milhões.

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Elisabeth McMillan, consultora do setor equestre, afirmou que vários elementos do modelo da PJL já existem. Para se destacar, essa nova liga terá que demonstrar que é capaz de atrair um público mais amplo, disse ela.

Para isso, a PJL planeja transmitir os eventos gratuitamente em uma plataforma que ainda não foi anunciada. A liga aposta que isso aumentará o público e levará a patrocínios, além de fazer com que os fãs paguem para assistir às competições e desfrutar dos serviços de hospitalidade no local.

Com base na experiência em empresas de hospitalidade de luxo, Moffitt e McCabe também veem uma oportunidade de reinventar a experiência dos eventos ao vivo.

Eles afirmaram que o salto a cavalo de elite há muito atende a espectadores abastados sem oferecer um produto de alta qualidade, apontando que tudo — desde alimentos e bebidas até as ofertas VIP — está abaixo do padrão.

Um dos desafios da PJL será garantir um número suficiente de cavaleiros e cavalos de elite em meio à concorrência de circuitos já estabelecidos, segundo McMillan. Mas o prêmio em dinheiro sem precedentes da liga pode ajudar.

“Eles estão entrando em um mundo onde já existem várias competições”, disse McMillan. “Os cavaleiros ficam cansados entre um circuito e outro, e não é possível levar um cavalo a todas as provas.”

McMillan afirmou que o potencial comercial da liga pode depender mais do fato de os espectadores se interessarem pelos cavaleiros, cavalos e rivalidades em torno dela, em vez de desenvolverem um apreço pelo salto a cavalo.

Essa estratégia de contar histórias ajudou a F1 e outros esportes emergentes a decolarem. Mas ela não tem certeza se esse tipo de interesse se traduzirá em fãs comparecendo pessoalmente aos eventos.

McCourt, no entanto, está confiante de que o esporte fará o resto assim que os fãs puderem acompanhá-lo com mais facilidade.

“Não é preciso inventar nada”, disse McCourt. “Este esporte proporcionará todo tipo de drama e enredos. Basta ter pessoas talentosas para capturá-los.”

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