Bloomberg Línea — O terremoto de magnitude 7,4 ocorrido nesta semana na Colômbia vem somar-se ao longo histórico de tremores de terra de grande intensidade na América Latina desde o século XX.
Do Haiti ao Chile, a América Latina sofreu alguns dos terremotos mais devastadores da história.
“A América Latina é uma das regiões sismicamente mais ativas do planeta, principalmente devido à interação das placas tectônicas no Pacífico”, disse à Bloomberg Línea na Colômbia, a pesquisadora e arquiteta María Margarita Romero Archbold. “De fato, mais de um quarto dos terremotos de magnitude 8 ou superior registrados no mundo ocorrem na América do Sul”.
Para a reitora da Faculdade de Arquitetura da Universidade da América, em Bogotá, cada terremoto deve ser entendido não apenas como uma emergência, mas como “uma oportunidade para avaliar o que está sendo feito de forma correta, o que está sendo feito de forma errada e o que deve ser mudado antes que ocorra o próximo”.
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Quando se trata de magnitude, Romero Archbold afirma que a principal referência histórica na região é o terremoto de Valdivia, no Chile (1960), de magnitude 9,5 na escala sismológica de magnitude de momento (Mw). Este é “considerado o maior terremoto registrado por instrumentos no mundo”, observou ela.
Isso gerou um tsunami que atingiu o Chile e chegou até o Japão, o Havaí e as Filipinas.
No Chile, o desastre deixou pelo menos 1.655 vítimas e cerca de dois milhões de pessoas desabrigadas.
Antes do século XX, já haviam sido registrados terremotos de grande impacto na região.
Em 1797, um terremoto no Equador, com epicentro na Antiga Riobamba (8,3), deixou cerca de 12.293 mortos, segundo dados da Real Academia de História (Madri), citados pelo governo daquele país. “Mas o próprio documento admite que o número pode não ser totalmente exato”, disse.
Segundo outras fontes, o número de mortos pode ter chegado a 40.000.
No mesmo ano, mas na Venezuela (Cumaná), outro grande terremoto causou cerca de 16.000 mortos.
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Já em 1812, um terremoto de magnitude 7,7 ocorrido durante a Guerra da Independência da Venezuela deixou cerca de 26.000 mortos.
Em 1861, um terremoto de magnitude 7,2 abalou a província de Mendoza, na Argentina, causando mais de 4.200 mortes.
Em 1868, o terremoto de Arica (magnitude 8,5), que atingiu regiões do Peru e do atual Chile, causou cerca de 25.000 mortes.
No século XX, alguns dos eventos sísmicos mais importantes incluem:
- 1939 – O terremoto de Chillán, na região central do Chile, de magnitude 8,3, que causou cerca de 30.000 mortes.
- 1970 – O terremoto de Áncash, no Peru, deixou mais de 66.000 mortos.
- 1976 – Um terremoto de magnitude 7,6 causou cerca de 23.000 mortes na Guatemala.
- 1985 – Um terremoto de magnitude 8,1 na escala de Richter causou cerca de 40.000 mortes no México. No entanto, há divergências quanto aos números devido à censura do governo mexicano da época.
Os terremotos mais fortes do século XXI
No século XXI, os acontecimentos mais importantes ocorreram em países como o Haiti, o Peru, o Chile e a Venezuela.
No início do século, em 13 de janeiro de 2001, um terremoto de magnitude 7,7 causou a morte de quase 1.000 pessoas e deixou mais de 1,3 milhão de desabrigados em El Salvador.
Também em 2001, o terremoto de Arequipa, de magnitude 8,4, deixou cerca de cem mortos no Peru.
Já em agosto de 2007, um terremoto de magnitude 7,9 atingiu as províncias peruanas de Pisco, Chincha, Ica e Cañete.
A agência Andina informou que esse evento deixou 596 mortos, 1.268 feridos e 655.674 pessoas afetadas, segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Defesa Civil (Indeci).
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Em 12 de janeiro de 2010, o Haiti sofreu o que é considerado o terremoto mais mortal do século XXI. O terremoto deixou cerca de 300 mil mortos e cerca de 250 mil edifícios destruídos, principalmente em Porto Príncipe.
Já em 27 de fevereiro do mesmo ano, um terremoto no Chile, de magnitude 8,8, deixou um total de 525 mortos, segundo dados oficiais.

Segundo o governo chileno, as regiões afetadas (de norte a sul) foram Valparaíso, Metropolitana de Santiago, O’Higgins, Maule, Biobío e La Araucanía.
Em 1º de abril de 2014, um terremoto de magnitude 8,2 abalou o norte do Chile e afetou principalmente as regiões de Arica e Parinacota, Tarapacá e Antofagasta.
De acordo com informações oficiais, o terremoto durou três minutos e foi considerado o mais forte de 2014 em todo o mundo.
Em setembro de 2015, um terremoto de magnitude 8,4 atingiu a Região de Coquimbo, também no Chile, seguido por um tsunami que afetou as zonas costeiras. Esse episódio deixou 21 vítimas no país.
Em 2016, um terremoto de magnitude 7,8 atingiu a costa do Equador, causando 663 mortos e 6.274 feridos.
Em 19 de setembro de 2017, um terremoto de magnitude 7,1, com epicentro entre Puebla e Morelos, abalou o centro do México. O terremoto deixou cerca de 370 mortos, incluindo 228 na Cidade do México.
Em 2019, um terremoto de magnitude 8 em Loreto, no nordeste do Peru, deixou pelo menos duas vítimas fatais.

No último dia 24 de junho, um duplo terremoto, de magnitude 7,2 e 7,5, atingiu a Venezuela, com um balanço, até o momento, de 6.301 mortos, de acordo com dados oficiais.
Lições
Segundo Romero Archbold, “a primeira e talvez a mais importante” lição desses eventos é que “o terremoto não é necessariamente o desastre”. “O fenômeno natural é inevitável; o que podemos reduzir é o risco a ele associado”, afirmou.
Segundo ela explica, os grandes terremotos na América Latina demonstraram que as perdas dependem de três variáveis: a ameaça sísmica, a exposição e a vulnerabilidade.
Uma cidade localizada em uma zona sísmica não precisa necessariamente se tornar uma cidade vulnerável. Ela explica que o Chile é provavelmente um dos melhores exemplos da região.
A combinação de pesquisa científica, normas de construção sismorresistente, controle dos processos construtivos, preparação da população e sistemas de resposta permitiu reduzir significativamente as perdas humanas em eventos recentes.
O terremoto de magnitude 8,4 de 2015, por exemplo, acionou os mecanismos de alerta e permitiu a evacuação de cerca de um milhão de pessoas em áreas com risco de tsunami, disse.
A “segunda grande lição” é que não basta ter boas normas. “É preciso garantir que elas sejam cumpridas e, acima de tudo, intervir no enorme parque imobiliário existente, que foi construído antes das normas atuais”, observou Romero Archbold.









