Payroll: EUA criam 172 mil empregos em maio e reforçam apostas em alta de juros

A taxa de desemprego permaneceu em 4,3%, enquanto os dados reforçaram a percepção de resiliência da economia e elevaram as apostas em alta de juros pelo Fed

Mercado de trabalho americano ganha força em maio
Por Mark Niquette

Bloomberg — O crescimento do emprego nos Estados Unidos superou todas as previsões em maio e a taxa de desemprego permaneceu estável.

A criação de vagas fora do setor agrícola (nonfarm payrolls) aumentou em 172 mil no mês passado, após revisões para cima dos dados dos dois meses anteriores, segundo números divulgados nesta sexta-feira pelo Bureau of Labor Statistics (BLS). O resultado representou o avanço mais forte em três meses em mais de dois anos.

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A taxa de desemprego permaneceu em 4,3%, enquanto o ganho médio por hora trabalhada avançou 0,3%.

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O relatório sugere que o mercado de trabalho ganha força após o crescimento quase nulo do emprego no ano passado, apesar das preocupações mais recentes com a alta dos preços da energia, que levaram a confiança do consumidor ao menor nível já registrado.

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Os números podem aumentar a pressão sobre o Federal Reserve para considerar novas altas de juros com o objetivo de conter a inflação.

Os títulos do Tesouro dos EUA recuaram, elevando os rendimentos dos papéis de dois anos em mais de 8 pontos-base, para 4,12%.

Contratos de swap de juros mostraram que os investidores aumentaram suas apostas em uma elevação dos juros pelo Fed, com o mercado passando a precificar integralmente um aumento de 0,25 ponto percentual até o fim do ano.

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A geração de empregos foi liderada pelos setores de lazer e hospitalidade, que criaram 70 mil vagas, o maior aumento em mais de três anos. Saúde e assistência social, principal motor da criação de empregos ao longo do último ano, também continuaram contratando em ritmo robusto.

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O emprego na construção não residencial avançou pelo sétimo mês consecutivo, provavelmente impulsionado pela forte demanda relacionada à construção de data centers. Um relatório divulgado nesta semana mostrou que os gastos com construção de centros de dados ultrapassaram US$ 50 bilhões em abril pela primeira vez.

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O setor manufatureiro também criou vagas em maio. Relatórios recentes apontaram uma retomada da atividade industrial nos Estados Unidos graças à forte demanda por data centers, à produção para o setor de defesa e à formação de estoques por clientes que buscam se antecipar a novos aumentos de preços relacionados à guerra.

O emprego no transporte aéreo registrou a maior queda desde 2020. O BLS afirmou que o resultado refletiu “em grande parte o encerramento de uma empresa”, em provável referência ao colapso da Spirit Airlines no mês passado.

O relatório também trouxe sinais do impacto contínuo da inteligência artificial sobre as contratações.

O emprego no setor de informação — que inclui editoras de software, redes sociais e plataformas de busca na internet — voltou a cair em maio, pela 16ª vez nos últimos 17 meses. Gigantes de tecnologia como a Meta Platforms e a Microsoft têm reduzido seus quadros de funcionários, em parte para compensar os elevados investimentos em inteligência artificial.

A economia dos Estados Unidos ainda enfrenta potenciais desafios nos próximos meses, especialmente se o conflito no Oriente Médio não for resolvido em breve e o Estreito de Ormuz permanecer em grande parte fechado, mantendo os preços do petróleo elevados.

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Nesse cenário, os gastos dos consumidores podem sofrer pressão adicional à medida que os orçamentos familiares ficam mais apertados, especialmente entre as famílias de menor renda.

Uma retração do mercado acionário também poderia afetar o consumo das famílias mais ricas, enquanto a adoção contínua de inteligência artificial pelas empresas pode representar uma ameaça maior às tendências de contratação ao longo do restante do ano.

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