Bloomberg — O advogado celebridade Abelardo de la Espriella surpreendeu ao liderar o primeiro turno da eleição presidencial da Colômbia, preparando o terreno para mais um pleito altamente polarizado na América Latina.
O outsider conservador está em posição favorável para se tornar o próximo presidente do país ao enfrentar o senador de esquerda Iván Cepeda — aliado do atual presidente Gustavo Petro — no segundo turno, marcado para 21 de junho.
Com cerca de 99,9% das urnas apuradas, De la Espriella obteve 43,7% dos votos, segundo os resultados oficiais. Cepeda ficou em segundo lugar com 40,9%.
Outra candidata conservadora, a senadora Paloma Valencia, ficou em distante terceiro lugar com 6,9% e, em discurso após a apuração, anunciou apoio a De la Espriella.
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Em vídeo publicado nas redes sociais após a divulgação dos resultados, De la Espriella afirmou que seu movimento vencerá no segundo turno. “Vamos derrotar a tirania e o autoritarismo”, disse. “Hoje, mais do que nunca, estou firme pela pátria.”
A participação dos eleitores foi de aproximadamente 58% no domingo — a maior já registrada em um primeiro turno presidencial no país.
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Antes da votação, a maioria das pesquisas apontava De la Espriella em segundo lugar, atrás de Cepeda. Os mercados de previsão sugerem que o segundo turno pode ser mera formalidade: segundo o Polymarket, De la Espriella tem 78% de chance de se tornar o próximo presidente da Colômbia, contra 22% de Cepeda.

O resultado de domingo deve ser bem recebido pelos investidores, muitos dos quais temem que um novo governo de esquerda amplie a dívida pública e comprometa a independência do Banco Central.
Os mercados passaram a enxergar De la Espriella como alternativa a Valencia e a melhor aposta para afastar o movimento de Petro do poder.
Os ativos colombianos devem se valorizar na segunda-feira (1). A dívida do país já havia registrado uma leve alta na semana anterior à eleição, à medida que os investidores eram encorajados pelos sinais de crescente popularidade de De la Espriella. Os títulos em dólar renderam quase 2% na semana, enquanto os rendimentos dos papéis em peso caíram.
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De la Espriella prometeu estreitar laços com o presidente dos EUA, Donald Trump, conter os gastos públicos, reduzir impostos e ordenar uma ofensiva militar contra as milícias do narcotráfico de cocaína que dominam vastas regiões do país.
Cepeda, por sua vez, é cético em relação à intervenção americana na América Latina, defende o aumento dos gastos sociais e quer estender as negociações com grupos armados ilegais.
Nas seções eleitorais de Bogotá, muitos eleitores — acompanhados de filhos e até animais de estimação — usavam a camisa amarela da seleção colombiana de futebol, que se tornou um dos símbolos mais reconhecíveis da campanha de De la Espriella. Cepeda, no entanto, venceu na capital, com cerca de 42% dos votos contra 38% do rival.
O segundo turno deve depender da capacidade de De la Espriella de consolidar o apoio dos eleitores de Valencia e de qual dos dois conseguirá atrair o eleitorado de centro.
“O momento é de De la Espriella, que causou uma grande surpresa ao derrotar Cepeda, apesar de nunca ter disputado uma eleição popular antes e de não contar com o apoio de partidos ou máquinas políticas tradicionais”, disse Sergio Guzmán, diretor da Colombia Risk Analysis. “De la Espriella tem vantagem, mas precisa administrá-la com cuidado. O segundo turno será extremamente disputado.”
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O resultado também foi um golpe para os conservadores tradicionais colombianos, que apostavam em Valencia para chegar à presidência.
Seu desempenho abaixo de 10% marcou um declínio acentuado do uribismo — a força política liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe que dominou o país por duas décadas antes de Petro se tornar o primeiro presidente de esquerda da Colômbia, em 2022.
De la Espriella inicialmente descreveu Valencia como aliada, mas as tensões entre eles aumentaram no período pré-eleitoral. O apoio dela, no entanto, deve dissipar qualquer dúvida sobre a capacidade de direita e centro-direita de se unir no segundo turno contra Cepeda.
De la Espriella entra na segunda rodada como franco favorito, segundo Sandra Borda, cientista política da Universidad de los Andes, em Bogotá.
“A grande maioria dos votos de Paloma Valencia irá para ele”, disse ela. “Algumas pessoas no centro têm receio de alguém como De la Espriella e votarão um pouco mais em Cepeda. Mas mesmo com esses votos, não parece que Cepeda vai conseguir.”
Em outros países da região, as disputas presidenciais também são marcadas pela polarização entre candidatos de ideologias radicalmente opostas.
No Peru, o segundo turno de 7 de junho opõe Keiko Fujimori, filha do ex-presidente conservador Alberto Fujimori, ao esquerdista anti-establishment Roberto Sánchez.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta um movimento conservador liderado pelo senador de direita Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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