Bloomberg — Os polos de Dubai e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, assim como Doha, no Catar, consolidaram-se como centros financeiros globais ancorados em uma combinação de segurança, estabilidade e proximidade de grandes volumes de capital. Os ataques do Irã no sábado serviram como um lembrete abrupto da realidade geográfica da região.
Horas depois de Estados Unidos e Israel atingirem alvos no Irã, Teerã retaliou com ataques a bases militares americanas no Golfo Pérsico.
Mísseis foram interceptados em cidades do Oriente Médio, incluindo Doha e Abu Dhabi — onde ao menos uma pessoa morreu após a queda de destroços. Na vizinha Dubai, moradores relataram explosões.
O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos divulgou rapidamente um comunicado afirmando que seus sistemas de defesa aérea neutralizaram os mísseis.
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“Todas as medidas necessárias estão sendo tomadas para enfrentar com firmeza qualquer tentativa de minar a segurança e a estabilidade do país. A segurança dos cidadãos, residentes e visitantes continua sendo uma prioridade máxima que não pode ser comprometida.”
O escritório de mídia de Dubai informou que a cidade seguia operando normalmente, embora a Emirates — maior companhia aérea internacional do mundo — tenha suspendido temporariamente operações devido ao fechamento do espaço aéreo regional.
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A autoridade de aviação civil de Doha anunciou o fechamento temporário do espaço aéreo do país, interrompendo na prática as operações da Qatar Airways.
Ambas as cidades são hubs centrais da aviação global, o que significa que qualquer redução ou paralisação do tráfego aéreo provoca um efeito em cadeia relevante para o setor de viagens e para o turismo.

Governos estrangeiros emitiram rapidamente alertas a seus cidadãos na região, onde expatriados representam a maior parte da população em países como os Emirados Árabes Unidos. “Devido a relatos de ataques com mísseis, cidadãos britânicos no Bahrein, Kuwait, Qatar e Emirados Árabes Unidos devem buscar abrigo imediatamente”, afirmou o Reino Unido.
A ascensão de Dubai como destino de fundos hedge e a consolidação de Abu Dhabi como potência de riqueza soberana foram sustentadas por uma imagem cuidadosamente construída de distanciamento da turbulência regional. Mesmo com o recrudescimento do conflito no verão passado, profissionais do setor financeiro continuaram a se instalar na região.
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Naquele momento, as preocupações cresceram após um ataque iraniano a uma base dos EUA no Catar. A ação foi percebida como calibrada, e as empresas financeiras retomaram suas atividades rapidamente, dado o impacto limitado.
Desta vez, os riscos para a comunidade financeira global são mais elevados. Trata-se do primeiro episódio em que a República Islâmica atinge simultaneamente instalações americanas em toda a região. Em ocasiões anteriores, Teerã descreveu suas respostas como ataques retaliatórios “limitados” durante períodos de tensão.
Os Emirados Árabes Unidos abrigam a Base Aérea de Al Dhafra, enquanto a Força Aérea dos EUA mantém presença significativa na Base Aérea Prince Sultan, nos arredores de Riad. O Catar também hospeda uma grande base americana, e o Bahrein é sede da Quinta Frota da Marinha dos EUA.
Assim como os Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Catar têm buscado atrair empresas financeiras como parte de esforços de diversificação econômica além do petróleo. Nos últimos anos, investidores estrangeiros demonstraram disposição crescente de estabelecer operações no Golfo.
A nova escalada representa um teste para essa estratégia, especialmente para os Emirados Árabes Unidos, dada sua reputação de refúgio em períodos de instabilidade. O país captou recursos durante a Primavera Árabe, reabriu rapidamente na pandemia e recebeu fluxos de capital russo após a invasão da Ucrânia por Moscou.
Mais recentemente, também atraiu bilionários internacionais interessados em proteger patrimônio, além de bancos de Wall Street e fundos hedge em expansão. Abu Dhabi vive um ciclo intenso de investimentos apoiados por sua riqueza soberana de quase US$ 2 trilhões, enquanto os preços dos imóveis em Dubai acumulam alta de 70% em quatro anos, impulsionados por compradores globais.
Após os ataques, o governo dos Emirados Árabes Unidos pediu moderação e a retomada de soluções diplomáticas e de um diálogo sério. As violações contínuas, afirmou, “minam a segurança regional e internacional e ameaçam a estabilidade econômica global e a segurança energética”.
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