Bloomberg — Os países do Golfo Pérsico fecharam seus espaços aéreos depois que o Irã atacou bases norte-americanas na península, em retaliação aos bombardeios contra Teerã no início do dia.
A autoridade de aviação civil do Catar informou que o espaço aéreo do país foi temporariamente fechado, interrompendo na prática as operações da Qatar Airways, uma das maiores companhias aéreas do país.
Os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait, que estavam entre os alvos, também suspenderam o uso de seus espaços aéreos após os ataques com mísseis do Irã.
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A maioria das companhias aéreas cancelou voos para o Golfo, incluindo destinos como Dubai, sede da Emirates, enquanto empresas da Índia reduziram suas frequências para a região.
A EASA, reguladora europeia de aviação, emitiu um Boletim de Informações sobre Zonas de Conflito, recomendando que as companhias adotem extrema cautela diante da intervenção militar e das retaliações em curso. As aeronaves “não devem operar no espaço aéreo afetado em todos os níveis e altitudes de voo”, afirmou o órgão.
“Dada a evolução atual e esperada, há, portanto, um alto risco para a aviação civil no espaço aéreo afetado”, acrescentou a EASA.
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O conflito, que se amplia em uma das regiões mais movimentadas do mundo para o tráfego aéreo, pode alterar os padrões de voo de algumas das maiores companhias internacionais.
O Oriente Médio está no cruzamento de um dos principais corredores aéreos que conectam o tráfego entre leste e oeste, e países como Iraque, Omã e Bahrein também fecharam seus espaços aéreos após Israel e os EUA iniciarem sua campanha no sábado.
Entre as empresas que suspenderam voos para a região estão a Turkish Airlines, a Deutsche Lufthansa e as principais companhias indianas, como Indigo e Air India.
Algumas transportadoras precisaram abortar voos em pleno ar. Um superjumbo A380 da Emirates, que seguia para São Francisco, retornou a Dubai.
A British Airways informou que tomou “a decisão operacional de cancelar nossos voos para Tel Aviv e Bahrein até o dia 03 de março, inclusive” e também cancelou o voo desta segunda-feira para Amã, na Jordânia.
A Emirates, maior companhia aérea internacional do mundo, afirmou que o fechamento do espaço aéreo regional provocou a interrupção de diversos voos.
O Ministério dos Transportes de Israel anunciou o fechamento do espaço aéreo do país e orientou os cidadãos a evitarem aeroportos. O governo iraniano também fechou seu espaço aéreo após os ataques.
No ano passado, um ataque iraniano à maior base militar dos EUA na região já havia levado o Catar e países vizinhos a fechar seus espaços aéreos, afetando companhias internacionais. Dezenas de milhares de passageiros ficaram retidos, gerando transtornos nas operações do aeroporto de Doha.
Nos últimos dois anos, grandes áreas do Oriente Médio tiveram seu espaço aéreo restrito repetidas vezes. Companhias foram obrigadas a cancelar voos em rotas rentáveis, consumir mais combustível com desvios e sobrevoar países normalmente evitados — como o Afeganistão — para escapar de áreas consideradas inseguras.
--Com a ajuda de Mihir Mishra, Kate Duffy, Sonja Wind e Khalid Al-Ansary.
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