Com recorde de imigrantes, Portugal endurece as regras para obter cidadania

Nova lei sancionada pelo presidente António José Seguro eleva de cinco para dez anos o tempo exigido para obter a cidadania; brasileiros e cidadãos de outras nações lusófonas terão de aguardar sete anos

Lisboa
Por Henrique Almeida

Bloomberg — Com a população estrangeira em Portugal em níveis sem precedentes, o presidente do país sancionou um projeto de lei que vai dobrar o tempo necessário para que estrangeiros obtenham a cidadania.

O projeto, aprovado no parlamento no ano passado com o apoio do Partido Social Democrata, de centro-direita e minoria no governo, e do partido de extrema-direita Chega, estende o período exigido para a maioria dos estrangeiros obter a cidadania de cinco para até dez anos.

PUBLICIDADE

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.


Ainda assim, o presidente afirmou em comunicado no domingo (4) à noite que esperava que os pedidos pendentes não fossem afetados pela mudança legislativa.

“Isso constituiria uma quebra indesejável de confiança no Estado, no plano interno e internacional”, disse António José Seguro, cujo mandato presidencial teve início em março.

PUBLICIDADE

Leia também: Em Portugal, golden visa agora impulsiona museus, fazendas e investimentos em ações

Uma entrada de imigrantes em Portugal na esteira da pandemia sobrecarregou a habitação, a saúde e os serviços públicos do país.

Um recorde de 1,5 milhão de residentes — cerca de 15% da população total — atualmente vêm do exterior, quase o triplo do registrado em 2019, segundo a Agência para a Integração, Migrações e Asilo de Portugal.

PUBLICIDADE

Cidadãos do Brasil, de Angola e de outras nações lusófonas terão de aguardar sete anos para obter a cidadania, em vez de cinco, conforme a nova lei.

A medida é mais um passo de Portugal no esforço para reduzir um expressivo acúmulo de pedidos de imigração, incluindo os relacionados ao seu programa de golden visa.

O golden visa, que oferece a não europeus um caminho acelerado para a residência por meio de opções que incluem um investimento mínimo de € 500 mil (US$ 585 mil) em fundos elegíveis, atualmente permite que investidores solicitem a cidadania cinco anos após a adesão ao programa.

PUBLICIDADE

Veja mais em Bloomberg.com

Leia também

Menos carvalho, mais barro: a estratégia do Alentejo para a produção de vinhos premium

Nubank está entre os interessados em unidade de banco público português no Brasil