Bloomberg — A China estabeleceu uma meta de crescimento econômico anual de cerca de 5%, um objetivo ambicioso que pressionará as principais lideranças do país a tomarem mais medidas de estímulo para combater a falta de confiança, a crise imobiliária e a deflação.
O primeiro-ministro Li Qiang reconheceu os desafios enfrentados pela segunda maior economia do mundo ao entregar seu relatório ao parlamento nacional nesta terça-feira (5).
“Não é fácil para nós estipular essas metas”, disse ele a milhares de representantes reunidos no Grande Salão do Povo em Pequim. “Precisamos de apoio de políticas e esforços conjuntos de todas as frentes.”
O anúncio vai de encontro às expectativas dos economistas de que o governo repetiria a meta do ano passado. Ela será mais difícil de ser alcançada, contudo, devido a uma base de comparação mais elevada. Analistas em uma pesquisa da Bloomberg preveem que a economia chinesa provavelmente crescerá 4,6% neste ano.
“A meta de cerca de 5% provavelmente tem o intuito de aumentar a confiança. Mas as medidas específicas anunciadas podem ter um impacto limitado
“Achamos que não é fácil atingir a meta de crescimento”, acrescentou, salientando que o banco mantém sua previsão para este ano em 4,5%.
As ações chinesas negociadas em Hong Kong caíram nesta terça-feira depois que as principais metas foram anunciadas. O índice Hang Seng China Enterprises fechou em queda de 2,6%.
Outro desafio anunciado durante a Assembleia Popular Nacional foi uma meta de inflação de 3%. A China enfrenta o mais longo período de deflação desde o final da década de 90. Com os preços ainda em queda, será difícil conseguir uma forte expansão.
Houve alguns sinais de aumento de estímulo. A China revelou planos para emitir 1 trilhão de yuans (US$ 140 bilhões) em títulos especiais ultralongos do governo central em 2024.

O plano, que a Bloomberg News informou anteriormente quando estava na fase de discussões, será apenas a quarta venda de dívida deste tipo nos últimos 26 anos. A mais recente foi em 2020, para financiar medidas de resposta à pandemia.
A China manteve em 3% sua meta anual de déficit público, que foi elevada em outubro. “O déficit continuará a ser sustentado principalmente pelo governo central, que intensificará o pagamento de transferências aos governos locais para ajudar a prevenir e resolver os riscos de dívida local”, disse Bruce Pang, economista-chefe para China da Jones Lang LaSalle.
As autoridades também prometeram “evitar o excesso de capacidade” em alguns setores-chave, depois que empresas reduziram preços e margens de lucro para permanecerem competitivas. O excesso de capacidade da China também gera tensões com parceiros comerciais como Estados Unidos e União Europeia.
Fica cada vez mais difícil determinar até que ponto o crescimento da China abrange toda a economia, dadas as restrições ao acesso a dados, disse Chong Ja Ian, professor de Ciência Política na Universidade Nacional de Singapura.
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