Bloomberg Línea — Os trabalhadores de dois países latino-americanos precisam trabalhar mais horas para ganhar US$ 1.000 em comparação com uma amostra de 38 economias do mundo, segundo dados compilados pela Visual Capitalist com base na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e em outras fontes.
A situação resulta de uma combinação de fatores, como baixos níveis de produtividade e menor crescimento dos salários, segundo a classificação.
O relatório também aponta que a elevada informalidade e o acesso limitado a capital afetam a renda nos países da região.
O levantamento foi elaborado a partir de dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre salários médios anuais e de números do Our World in Data.
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“Os números são expressos em dólares ajustados pela paridade do poder de compra (PPC), que considera as diferenças nos níveis de preços locais e permite uma melhor comparação da renda entre os países. Os impostos não estão incluídos”, esclarece a fonte.
Entre os países analisados, a Colômbia aparece como o local onde uma pessoa precisa trabalhar mais para ganhar US$ 1.000.
Ao todo, um trabalhador na Colômbia precisa de 86 horas, em média, para obter essa renda, ante apenas 16 horas em Luxemburgo e na Islândia.
A Europa domina as primeiras posições da lista, segundo a Visual Capitalist.
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Outros países, como Suíça, Noruega, Dinamarca e Países Baixos, exigem menos de 20 horas de trabalho para que uma pessoa ganhe US$ 1.000.
No caso de Luxemburgo, a publicação indica que a forte presença de empregos nos setores de serviços financeiros e profissionais impulsiona os salários.
Já em países nórdicos como Dinamarca, Noruega, Islândia e Finlândia, destaca-se a combinação de salários relativamente altos com economias avançadas e de elevada produtividade.
A publicação cita, a propósito, um relatório do Instituto Becker Friedman, da Universidade de Chicago, e do CEPR, segundo o qual os cidadãos nórdicos trabalham menos horas por ano do que seus pares da OCDE.
Ainda assim, as taxas de emprego e de participação na força de trabalho são relativamente altas.
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Esses países combinam altos níveis de investimento público em educação, saúde, proteção social e políticas voltadas às famílias, além de uma política salarial coordenada e de um sistema tributário progressivo que incentiva o emprego.
Países mais atrasados
A Visual Capitalist afirma que, nos países pior classificados, os trabalhadores precisam trabalhar mais de cinco vezes o número de horas necessário para ganhar US$ 1.000 nos países mais bem posicionados.
No top 10 dos países onde são necessárias mais horas para ganhar US$ 1.000 também aparecem outros três países da América Latina.
O México ocupa a segunda posição da lista mundial, com média de 78 horas trabalhadas para obter US$ 1.000.
A Costa Rica aparece em quarto lugar, com 53 horas, e o Chile ocupa a sexta posição, com 51 horas.
Segundo um relatório citado do Our World in Data, “o principal motor do aumento da renda nacional e da redução das horas de trabalho é o crescimento da produtividade”.
Por isso, explica o estudo, “encontrar maneiras de aumentar a produtividade não é apenas fundamental para ampliar a produção, mas também para reduzir as horas de trabalho, algo necessário para que uma sociedade prospere”.
Produtividade do trabalho na América Latina
A produtividade por hora na América Latina e no Caribe cresceu 2,2% em 2024 na comparação com o ano anterior, segundo o relatório mais recente da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).
Ainda assim, a produtividade do trabalho atualmente avança a um ritmo menor do que no restante do mundo.
Em 2024, 23 países da região registraram crescimento da produtividade média, três a mais do que em 2023, de acordo com o relatório.
A Guiana liderou, em 2024, o crescimento anual da produtividade do trabalho por hora trabalhada por semana na América Latina e no Caribe, com um salto de 40,1%, impulsionado por seu boom petrolífero.
Depois da Guiana, os maiores avanços na produtividade do trabalho foram registrados por Belize (4,7%), Brasil (4%), Barbados (3,8%) e São Vicente e Granadinas (3,6%).
Na sequência vieram República Dominicana (3,5%), Chile (3,3%), Santa Lúcia (3,2%), Paraguai (3,2%), Costa Rica (2,9%) e Trinidad e Tobago (2,4%).
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