6 coisas que você precisa saber sobre o conflito entre EUA e Israel contra o Irã

Escalada militar no Golfo afeta oferta de energia, derruba criptomoedas e leva países da região a fechar o espaço aéreo; retaliações colocam em risco a estabilidade do Oriente Médio

Fumaça sobe no horizonte após uma explosão em Teerã, Irã, sábado, 28 de fevereiro de 2026. (Foto: AP/Vahid Salemi)
Por Bloomberg News
01 de Março, 2026 | 08:26 AM

Bloomberg — Os Estados Unidos e Israel lançaram ataques coordenados e de grande escala com mísseis contra o Irã, com a promessa de desmantelar as forças armadas do país e impedir o avanço de um programa nuclear com fins militares.

A retaliação foi imediata, mas os desdobramentos geopolíticos e os reflexos sobre os mercados ainda são incertos. Confira algumas das principais atualizações:

PUBLICIDADE

Leia também: Ali Khamenei, líder supremo do Irã, morre aos 86 anos em ataques de EUA e Israel

1. Retaliação generalizada

O Irã respondeu rapidamente, com uma série de ataques de mísseis e drones contra bases e aliados dos EUA na região, incluindo Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait e Arábia Saudita. Israel também foi alvo. A agência semioficial Tasnim afirmou que todas as bases e interesses americanos no Oriente Médio passarão a ser considerados alvos.

 (Fonte: Bloomberg)

2.Petroleiras paralisadas

Com os mercados de petróleo fechados para o fim de semana, petroleiros passaram a evitar o estreito de Ormuz, após relatos de que embarcações interceptaram uma transmissão de rádio proibindo a navegação na área.

PUBLICIDADE

O Irã não anunciou oficialmente o bloqueio da passagem, mas companhias adotam postura cautelosa. Antes disso, os EUA já haviam alertado navios para manter distância do Golfo Pérsico e do Mar Arábico, especialmente em um raio de 30 milhas náuticas de ativos militares americanos.

A simples ameaça de ação militar elevou os preços do petróleo na semana passada. O Brent avançou 2,5%, a US$ 72,48 por barril na sexta-feira, maior fechamento desde julho, acumulando alta de quase 20% no ano.

Leia também: Vácuo de poder no Irã pode gerar crise pior que no Iraque, diz ex-embaixador do Brasil

PUBLICIDADE

Dois delegados da OPEP+ disseram à Bloomberg que o grupo avaliará um aumento mais expressivo da oferta quando os principais membros se reunirem no domingo.

A expectativa, segundo vários delegados ouvidos no início da semana, era de que a aliança liderada por Arábia Saudita e Rússia retomasse aumentos modestos de produção a partir de abril, após um congelamento de três meses. O Irã produz cerca de 3,3 milhões de barris por dia, o que o coloca como o quarto maior produtor da OPEP.

3. Impacto nos mercados

O Bitcoin e outros ativos digitais recuaram de forma acentuada com o início das operações militares, ampliando um movimento de venda que já se estendia por meses no mercado de criptomoedas.

PUBLICIDADE

4. Interrupções de viagens

Países do Golfo fecharam o espaço aéreo, levando ao cancelamento de centenas de voos de e para alguns dos aeroportos mais movimentados do mundo. A Emirates, maior companhia aérea internacional, e a Qatar Airways, segunda maior da região, suspenderam todas as operações.

Leia também: Ataques dos EUA ao Irã: o que está em jogo para os mercados de petróleo e o comércio

5. Dentro do Irã

O presidente Donald Trump divulgou um vídeo conclamando a população iraniana a se insurgir contra a teocracia no poder desde 1979, afirmando que o governo estava “ao alcance” dos cidadãos. A Associated Press informou que ao menos um ataque ocorreu nas proximidades do escritório do líder supremo, Ali Khamenei.

O governo iraniano declarou que suas principais autoridades estão em segurança, incluindo o presidente Masoud Pezeshkian. A situação de Khamenei, porém, tornou-se menos clara após o chanceler Abbas Araghchi afirmar à NBC que o líder estava vivo “até onde eu sei”.

Cerca de 85 pessoas morreram após um míssil atingir uma escola primária feminina na província de Hormozgan, segundo a agência semioficial Iranian Students’ News Agency.

6. Política dos EUA

Trump, que passa o fim de semana em seu clube privado na Flórida, não pretende fazer um pronunciamento adicional à nação além do vídeo divulgado durante a madrugada.

No Congresso, as reações seguem majoritariamente as linhas partidárias respectivas: republicanos manifestam apoio à ação militar, enquanto democratas defendem a votação de uma resolução para limitar a autoridade do presidente na condução de ataques.

Veja mais em bloomberg.com