‘O Agente Secreto’ fica sem Oscar; ‘Valor Sentimental’ vence Filme Internacional

O longa de Kleber Mendonça Filho não confirmou as expectativas após o Globo de Ouro e acabou prejudicado nas apostas pela derrota no Bafta, quando o norueguês ‘Valor Sentimental’ venceu a categoria equivalente; Adolpho Veloso também não levou o prêmio de Fotografia por ‘Sonhos de Trem’

O Agente Secreto com Wagner Moura e Kleber Mendonça
15 de Março, 2026 | 11:53 PM

Bloomberg Línea — O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, encerrou a noite sem estatuetas na cerimônia na noite de domingo (15), no Dolby Theatre, em Los Angeles.

Das quatro categorias em que o longa concorria no Oscar (Filme Internacional, Filme, Ator para Wagner Moura e Direção de Elenco), nenhuma veio para o Brasil.

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Em Filme Internacional, a estatueta foi para o norueguês Valor Sentimental, de Joachim Trier, resultado anunciado por volta das 23h30.

O Brasil ainda contou com outro representante na noite: o diretor de fotografia Adolpho Veloso concorreu a Melhor Fotografia por Sonhos de Trem, numa indicação inédita para um brasileiro na categoria, mas o prêmio foi para Pecadores.

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Mais cedo, na disputa por Direção de Elenco, Cassandra Kulukundis levou a estatueta por Uma Batalha Após a Outra, superando Gabriel Domingues, de O Agente Secreto, e outros três concorrentes (Marty Supreme, Hamnet e Pecadores).

Outros vencedores

Uma Batalha Após a Outra dominou a noite com seis estatuetas. O filme de Paul Thomas Anderson saiu com Melhor Filme, Roteiro Adaptado, Montagem, Direção, Direção de Elenco e Ator Coadjuvante para Sean Penn.

Adaptação do romance Vineland, de Thomas Pynchon, sobre um ex-revolucionário forçado a voltar à luta para salvar a filha, o filme teve seu roteirista e diretor no palco para receber os prêmios. Sean Penn não compareceu à cerimônia.

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Jessie Buckley venceu Melhor Atriz por Hamnet e Amy Madigan, Melhor Atriz Coadjuvante por A Hora do Mal.

Pecadores, thriller sobre dois irmãos gêmeos perseguidos por uma força sobrenatural no Mississippi, de Ryan Coogler, ficou com cinco prêmios: Roteiro Original, Trilha Sonora, Fotografia e Melhor Ator para Michael B. Jordan, a trilha para Ludwig Göransson em seu terceiro Oscar após Pantera Negra e Oppenheimer.

Mr. Nobody Against Putin, sobre um professor russo que filma clandestinamente a doutrinação militar nas escolas, venceu Melhor Documentário. All the Empty Rooms, sobre tiroteios em escolas nos EUA, levou esse Oscar em curta-metragem.

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A noite também reservou uma raridade, o sétimo empate da história do Oscar e o primeiro em 13 anos: o americano The Singers, sobre uma disputa de canto num bar, e o filme franco-americano Two People Exchanging Saliva, distopia em que o beijo é proibido, venceram juntos Melhor Curta.

Guerreiras do K-Pop levou a categoria de animação; o canadense The Girl Who Cried Pearls levou o curta de animação.

Frankenstein, adaptação do clássico de Mary Shelley por Guillermo del Toro, dominou as categorias técnicas com Direção de Arte, Figurino e Cabelo e Maquiagem. Avatar: Fogo e Cinzas ficou com Efeitos Visuais e F1 com Melhor Som.

Entre Globo de Ouro e Bafta

O caminho do filme brasileiro até Los Angeles foi marcado por conquistas e sinais contraditórios. Em janeiro, o filme venceu dois Globos de Ouro: Filme em Língua Não Inglesa e Ator em Filme de Drama, com Wagner Moura tornando-se o primeiro brasileiro a conquistar esse troféu na premiação.

Foi um arranque poderoso para a temporada, que colocou a produção entre as favoritas ao Oscar antes mesmo que a corrida ganhasse velocidade.

O cenário ficou mais complexo no dia 22 de fevereiro, quando o Bafta em Londres, conhecido como o Oscar britânico, foi entregue ao norueguês Valor Sentimental, de Joachim Trier.

Naquela mesma noite, O Agente Secreto também perdeu o prêmio de Melhor Roteiro Original para Pecadores, do americano Ryan Coogler.

A ausência de estatuetas em Londres pesou sobre a campanha brasileira. O site Gold Derby, referência em análise da corrida ao Oscar, atribuía ao longa norueguês 64,8% de chance de vitória na categoria de Filme Internacional, contra 31,8% para a produção brasileira.

O precedente mais próximo, no entanto, jogava a favor do Brasil. Em 2025, Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, perdeu o Bafta para Emília Pérez e mesmo assim venceu o Oscar na mesma categoria. A Academia demonstrou, naquela ocasião, que seu gosto nem sempre acompanha o dos britânicos, e a delegação brasileira apostou que a história poderia se repetir.

Ambientado no Recife de 1977, durante a ditadura militar, O Agente Secreto acompanha Marcelo, um professor universitário que foge de São Paulo para a cidade natal após ser identificado como alvo do regime.

O elenco reúne Tânia Maria, Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone e Alice Carvalho, e o filme foi lançado nos cinemas brasileiros em novembro de 2025 e ficou 17 semanas em cartaz sem sair do Top 10 de bilheterias nacionais, acumulando público de 2,5 milhões de espectadores e renda de R$ 51,43 milhões, segundo a Comscore.

No dia 7 de março, estreou na Netflix. Kleber Mendonça Filho, que já havia projetado o cinema brasileiro no circuito mundial com Aquarius (2016) e Bacurau (2019), deixou Los Angeles com O Agente Secreto como um marco da produção nacional.

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