STF ordena a prisão de Ricardo Magro, da Refit, em investigação

O ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva do empresário, apontado como o controlador de um dos poucos grupos privados de refino e distribuição de combustíveis do Brasil

Refit
Por Daniel Carvalho

Bloomberg — O Supremo Tribunal Federal ordenou a prisão do chefe de um grupo privado de refino no mais recente esforço para combater a infiltração do crime organizado na economia formal.

O ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva de Ricardo Magro, apontado como o controlador de um dos poucos grupos privados de refino e distribuição de combustíveis do Brasil.

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Investigadores federais suspeitam que o grupo, Refit, utilizava uma complexa estrutura societária e financeira para ocultar patrimônio, disfarçar propriedade de bens e enviar recursos ao exterior, segundo relatório da Polícia Federal anexado à decisão judicial tornada pública nesta sexta-feira.


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A Polícia Federal também realizou buscas na residência do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro como parte de 17 mandados de busca e apreensão na Operação conhecida como “Sem Refino”. O governo federal já havia acusado Magro de ser o maior sonegador de impostos do Brasil.

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O caso evidencia o avanço do crime organizado sobre a economia formal e a política brasileira, especialmente no Rio de Janeiro, onde praticamente todos os governadores neste século enfrentaram investigações criminais, muitos deles presos. A Lava Jato, gigantesco esquema de corrupção envolvendo a Petrobras, afundou a economia fluminense em meados da década de 2010.

A polícia descreve Magro como líder de uma organização criminosa supostamente envolvida em esquemas bilionários de fraude no setor de combustíveis. O esquema incluía o uso da Refit para drenar recursos de empresas em recuperação judicial. Magro vive nos Estados Unidos e Moraes solicitou sua inclusão na lista vermelha da Interpol.

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A Refit afirmou em nota que as questões tributárias envolvendo a empresa estão sendo discutidas nas esferas judicial e administrativa e que “jamais falsificou declarações fiscais para ter vantagens tributárias”. A companhia também afirmou que “nega veementemente ter fornecido combustíveis para o crime organizado”.

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Investigadores também alegam que Magro cultivou influência em diferentes áreas da administração estadual do Rio de Janeiro para proteger os interesses do grupo. A decisão de Moraes menciona suspeitas de cooptação de integrantes do aparato estatal em benefício do conglomerado.

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Segundo a investigação, Castro apoiou medidas que beneficiaram diretamente o grupo, incluindo uma lei de refinanciamento tributário apelidada de “Lei Ricardo Magro”, aprovada após a refinaria de Manguinhos ser interditada e ter carregamentos de combustíveis importados apreendidos em 2025.

A polícia também afirma que ele orientou a Procuradoria-Geral do Estado a atuar judicialmente para permitir que a empresa retomasse suas operações.

Em nota, os advogados de Castro disseram terem sido surpreendidos pela operação e afirmaram que o ex-governador está à disposição “para dar todas as explicações convicto de sua lisura”.

A defesa acrescentou que todas as medidas adotadas durante sua gestão “obedeceram aos critérios técnicos e legais previstos na legislação vigente”, incluindo aquelas relacionadas à política estadual de incentivos fiscais.

Magro também é investigado em outras duas operações deflagradas em 2025 envolvendo suposta sonegação de impostos ligada à importação de gasolina e suspeitas de fornecimento de combustíveis para postos vinculados ao Primeiro Comando da Capital, o PCC, uma das maiores organizações criminosas do Brasil.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem citando repetidamente o caso de Magro ao discutir uma possível cooperação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para combater o crime organizado.

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