Quaest: Flávio Bolsonaro empata com Lula em eventual 2º turno em meio à crise no STF

Pesquisa mostra Flávio Bolsonaro e Lula com 41% cada em cenário de segundo turno, ante vantagem de 1 ponto do presidente na semana anterior, enquanto a crise envolvendo Alexandre de Moraes mobiliza a base conservadora

Lula e Flávio Bolsonaro
Por Daniel Carvalho
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Bloomberg — Flávio Bolsonaro empatou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma nova pesquisa, aproveitando-se da turbulência no Supremo Tribunal Federal para mobilizar eleitores conservadores.

Segundo pesquisa Quaest publicada nesta segunda-feira (7), Flávio Bolsonaro e Lula receberiam 41% dos votos cada um em um segundo turno. Uma semana antes, o instituto apontava Lula com uma vantagem de 1 ponto percentual.

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Flávio vinha ganhando força à medida que as acusações de corrupção envolvendo Lulinha e a fragilidade da economia pesavam sobre a campanha de reeleição do presidente Lula. Agora, a crise no Supremo Tribunal Federal lhe deu mais um poderoso argumento: o destino do ministro Alexandre de Moraes, que supervisionou o caso que levou o ex-presidente Jair Bolsonaro para a prisão por tentativa de golpe de Estado.

“Temos que proteger o STF de Alexandre de Moraes”, disse Flávio Bolsonaro a apoiadores reunidos na Avenida Paulista durante as comemorações do 7 de setembro, na segunda-feira. “Aquela laranja podre não pode contaminar toda a corte.”


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Flávio Bolsonaro conseguiu reunir na Avenida Paulista, sob um frio de 14°C, 28,5 mil pessoas segundo contagem de público feita pelo Monitor do Debate Político - USP/Cebrape. Muitas pessoas carregavam faixas e cartazes com críticas a Moraes pedindo a saída e até mesmo a prisão do ministro do STF.

A movimentação positiva de Flávio nas mais recentes pesquisas trouxeram de volta para perto dele aliados que vinham atuando de maneira tímida em sua campanha, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o deputado federal Nikolas Ferreira, e o pastor Silas Malafaia.

A madrasta do candidato, Michelle Bolsonaro, porém, não compareceu. Sua assessoria informou que ela não podia se ausentar de Brasília porque está cuidando de Jair Bolsonaro.

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Moraes dominou os discursos que antecederam a aparição de Flávio. Silas Malafaia e outras figuras conservadoras pediram seu impeachment, enquanto o governador de São Paulo exigiu que o tribunal investigasse completamente as alegações contra ele.

Todos que falaram evitaram críticas à instituição STF, focando os ataques em Moraes.

“Não viemos aqui pregar vingança, a desmoralização do Supremo Tribunal Federal”, disse Malafaia. “Precisamos de instituições fortes. Desgraçar o Supremo é arrebentar com a democaracia e com a República.”

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A reação negativa contra o magistrado se intensificou na semana passada após o divulgação de mensagens de texto que pareciam demonstrar uma relação mais próxima entre o ministro e Daniel Vorcaro, o antigo proprietário do Banco Master.

A controvérsia deu a Flávio a oportunidade de desviar a atenção do escrutínio de suas próprias negociações com Vorcaro, enquanto busca vincular Moraes a Lula politicamente.

“Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes”, disse ele à multidão. Moraes, no entanto, foi nomeado para o tribunal em 2017 pelo então presidente Michel Temer, não Lula.

As revelações foram particularmente prejudiciais ao tribunal porque Moraes havia construído uma reputação entre muitos brasileiros como um defensor ferrenho da democracia por meio de seus confrontos com aliados de Bolsonaro. Ele supervisionou investigações sobre ataques ao sistema eleitoral e, posteriormente, o caso que condenou o ex-presidente.

A turbulência no Supremo Tribunal Federal aumentou ainda mais quando Moraes entrou em conflito público com o ministro André Mendonça, relator responsável pelo caso do Banco Master.

Mendonça tornou público material policial contendo mensagens extraídas do telefone de Vorcaro que, segundo os investigadores, envolviam Moraes, desencadeando acusações entre dois dos membros mais poderosos do tribunal.

A disputa pode agora chegar ao pleno do tribunal, que poderá ser chamado a decidir se Mendonça deve permanecer à frente do caso Banco Master. Mendonça foi indicado por Jair Bolsonaro e há muito tempo se mostra cético em relação ao que os conservadores consideram um uso excessivo dos vastos poderes do Supremo Tribunal Federal.

Qualquer tentativa de afastá-lo poderia dar a Flávio mais argumentos para alegar que o tribunal está protegendo Moraes da fiscalização.

Entre os bolsonaristas, André Mendonça tornou-se herói. Durante o ato em São Paulo, ele foi objeto de orações e aplausos.

Enquanto isso, Lula passou o Dia da Independência nas comemorações oficiais em Brasília, acompanhado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, e pelos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.

O presidente também enfrentou reveses nos últimos dias.

O Senado na semana passada adiou uma votação sobre o fim da escala 6x1, uma proposta emblemática que Lula tornou central em seu discurso aos eleitores. Dados divulgados no início da semana também mostraram desaceleração econômica já que as altas taxas de juros prejudicam o crescimento.

Os brasileiros votam em 4 de outubro no primeiro turno, com um provável segundo turno três semanas depois. A Quaest entrevistou 2.004 eleitores entre 3 e 6 de setembro. A pesquisa tem uma margem de erro de mais ou menos 2 pontos percentuais.

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