ONU vê restrição desproporcional da Meta à campanha de Lula antes das eleições

Especialistas das Nações Unidas afirmaram que decisões invisíveis de moderação e inteligência artificial podem afetar a capacidade de candidatos alcançarem eleitores, após a campanha de Lula denunciar restrições sistemáticas às suas publicações

Signage at Meta headquarters in Menlo Park, California, US, on Wednesday, Aug. 26, 2026. Meta Platforms Inc. said it agreed to pay up to $18 billion in landmark settlements to resolve allegations from multiple US states that the company deliberately designed Facebook and Instagram to encourage compulsive use among young users. Photographer: Josh Edelson/Bloomberg
Por Augusta Saraiva
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Bloomberg — Especialistas das Nações Unidas disseram que a Meta aparentemente restringiu de forma “desproporcional” contas ligadas a um dos lados da disputa presidencial, em uma aparente referência à campanha do presidente Lula.

O comunicado não cita Lula nem Flávio Bolsonaro, mas os episódios mencionados — entre eles restrições a publicações de uma das campanhas no Instagram, diferenças no alcance de audiência e na geração de imagens por inteligência artificial, além de conteúdo político que poderia beneficiar o candidato adversário — são muito semelhantes às reclamações feitas pela campanha de Lula.

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A manifestação ocorre depois que, na semana passada, um juiz da Justiça Eleitoral brasileira determinou que a Meta não interfira na distribuição de conteúdo político ou relacionado às eleições. A campanha de Lula apresentou uma reclamação à Justiça na qual afirma que a Meta “tem falhado, de forma reiterada e sistemática, na entrega” das publicações do presidente aos usuários.

Lula e Flávio Bolsonaro permanecem em empate técnico nas pesquisas de intenção de voto a quatro dias do segundo turno. Os dois candidatos apresentam promessas bilionárias para atrair eleitores indecisos, mas dão poucos detalhes sobre como pretendem financiá-las.

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Na segunda-feira, apoiadores de Lula protestaram contra as supostas interferências eleitorais em frente à sede da Meta, em São Paulo. Além do Facebook e do Instagram, a empresa também é dona do WhatsApp, aplicativo usado por mais de 90% dos brasileiros.

A Meta rejeitou a alegação de que suas plataformas favoreçam qualquer corrente política e afirmou que os usuários têm liberdade para se expressar nos aplicativos.

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“Incidentes técnicos podem ocorrer em uma plataforma da nossa escala, mas não representam direcionamento político”, disse a empresa em comunicado, adicionando que cumpre a legislação local.

Em comunicado enviado à Justiça Eleitoral, a Meta afirmou que “as pessoas podem se expressar livremente em nossos aplicativos, sem tratamento preferencial a qualquer posicionamento político”. Na noite de terça, o tribunal realizou uma reunião com a empresa e as duas campanhas.

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A campanha de Lula também acusou separadamente a Meta AI, ferramenta de inteligência artificial generativa da empresa, de recusar pedidos para criar imagens relacionadas a Lula, ao mesmo tempo em que gerava material de campanha favorável a Flávio.

“Perder alcance pode significar perder voz no debate público e a capacidade de mobilizar comunidades”, afirmaram os especialistas da ONU em um comunicado à imprensa. “Algoritmos, sistemas de IA e decisões de moderação de conteúdo não devem se tornar árbitros invisíveis da discussão política”.

Lula e aliados têm travado sucessivos embates com empresas globais de tecnologia e defendido uma regulamentação mais rígida das plataformas on-line, além de medidas mais fortes para conter discurso de ódio e hostilidade no ambiente digital.

Durante a eleição presidencial de 2022, autoridades determinaram que o Twitter, hoje X, e outras redes sociais removessem publicações e conteúdos que supostamente disseminavam desinformação eleitoral.

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