Bloomberg — A poucos dias do segundo turno da eleição presidencial e com a disputa praticamente empatada, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro multiplicam promessas de alto custo para conquistar eleitores indecisos, mas dão poucos detalhes sobre como pretendem financiá-las.
A enxurrada de benesses eleitorais esbarra em um dos maiores desafios à espera de quem vencer em 25 de outubro: estabilizar a dívida pública brasileira.
Desde o primeiro turno, no início deste mês, Lula anunciou propostas que devem custar mais de R$ 50 bilhões nos próximos anos, ao mesmo tempo em que promete preservar a disciplina fiscal.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, sinaliza um amplo corte de gastos, mas ainda não disse onde pretende passar a tesoura, enquanto propõe simultaneamente aumentar aposentadorias, conceder benefícios fiscais e criar um programa de cashback para consumidores.
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Para os investidores, a questão passa a ser menos qual dos candidatos parece mais responsável do ponto de vista fiscal e mais quais promessas de campanha sobreviverão depois da eleição.
Quem vencer terá muito a explicar porque, como resume Adriana Dupita, da Bloomberg Economics, “simplesmente não há espaço fiscal para todos esses programas” sem um aumento de impostos — algo que nenhum dos dois candidatos parece disposto ou capaz de levar adiante.
“Recuar nas promessas de campanha vai desagradar aos eleitores; mantê-las vai desagradar aos investidores. E há um risco significativo de que uma solução de compromisso acabe abreviando qualquer lua de mel, com os mercados sob pressão e a popularidade em queda já no início do novo mandato presidencial”, disse Dupita.
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Veja abaixo as principais — e mais caras — promessas apresentadas por Lula e Flávio nas últimas três semanas:
Lula
Bolsa Família: O governo antecipou neste mês o calendário de pagamentos do Bolsa Família, principal programa de transferência de renda do país. Os benefícios — que Lula aumentou em 15% no mês passado — serão pagos a todos os beneficiários elegíveis até quarta-feira, em vez de até o fim do mês. O governo afirmou que a antecipação foi uma medida de precaução diante dos riscos associados ao El Niño.
MEIs: Lula anunciou o perdão de dívidas com o governo federal de microempreendedores inadimplentes. O plano também inclui um programa para comprar dívidas desses empreendedores e a concessão de até R$ 5.000 para ajudá-los a investir em seus negócios.
Pé de Meia: Lula anunciou a ampliação de seu programa de auxílio financeiro a estudantes para incluir universitários. Quem se enquadrar nos critérios receberá um total de R$ 9.500 ao longo de quatro anos, a um custo de R$ 4,6 bilhões por ano.
Tarifa Zero: Nesta quarta-feira, Lula enviou proposta de emenda à Constituição para instituir transporte público gratuito nos fins de semana. O governo estima que a medida custaria até R$ 12 bilhões por ano e seria financiada por emendas parlamentares. A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos estima um custo anual de R$ 20,8 bilhões.
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Bolsonaro
Fundo para dívidas: Bolsonaro prometeu criar um fundo de R$ 3 trilhões, batizado de “SOS Brasil”, financiado com receitas do petróleo, recursos obtidos com securitizações e a venda de imóveis do governo. Segundo ele, o fundo compraria dívidas de pessoas físicas e empresas para refinanciá-las em condições mais favoráveis.
Novo Perse: Bolsonaro afirmou na terça-feira que retomaria um programa de incentivos fiscais para empresas dos setores de turismo e eventos criado por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, para apoiar empresas durante a pandemia. O governo Lula encerrou a iniciativa em 2025, citando seu elevado custo fiscal e indícios de irregularidades.
Cashback via pix: Daniella Marques, coordenadora de política econômica da campanha, prometeu na terça-feira que Bolsonaro criaria um programa para devolver aos consumidores parte do que gastam com energia e outras contas. O cashback seria pago via pix. Ela, porém, não deu detalhes sobre como o programa funcionaria nem quanto custaria.
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