Bloomberg — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chefe do Banco Central, Roberto Campos Neto, estão prestes a ter sua primeira reunião presencial desde que o líder petista assumiu em janeiro e iniciou uma campanha para pressionar a autoridade monetária a baixar juros para ajudar a impulsionar o crescimento.
Campos Neto entrou em contato com Lula por meio de carta solicitando a reunião, segundo duas pessoas com conhecimento do assunto que disseram à Bloomberg News. O presidente concordou, mas pediu que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o acompanhasse.
A reunião será no fim da tarde desta quarta-feira (27) no Palácio do Planalto, segundo as agendas públicas de Lula e Campos Neto.
As iniciativas de Campos Neto e Lula foram vistas como gestos de boa vontade que só foram possíveis agora que o Banco Central começou a cortar juros, disseram as pessoas, pedindo anonimato porque o assunto não é público.
A última vez que se encontraram foi durante o governo de transição, quando a equipe de Lula achou Campos Neto arrogante, segundo as pessoas.
Após assumir o cargo, Lula criticou o Banco Central diversas vezes, questionando a necessidade de sua autonomia e criticando Campos Neto por manter os juros no nível mais alto em seis anos. Desde então, porém, o clima melhorou, disseram as pessoas.
O Banco Central não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
O BC reduziu a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual pela segunda reunião consecutiva na semana passada, para 12,75%, e sinalizou que manterá o mesmo ritmo de flexibilização pelo menos até o final do ano.
Seis meses após o início do desentendimento público com uma instituição dominada por indicações de Jair Bolsonaro, Lula começou a moldar seu futuro. Em dezembro, mais duas vagas serão abertas na diretoria do BC, constituída de nove membros, incluindo o presidente da autoridade.
No início deste ano, Lula indicou dois nomes próximos a ele para a diretoria, Gabriel Galípolo e Ailton Aquino. A mudança foi o passo inicial na primeira transição de poder do BC desde a promulgação em 2021 da lei que garante sua autonomia formal.
Durante os dois primeiros mandatos de Lula, o chefe do banco, Henrique Meirelles, disse que o presidente lhe deu autonomia de fato para definir a política monetária.
Campos Neto — alvo de grande parte das críticas de Lula — e outros dois diretores terminarão seus mandatos no final de 2024.
Além de melhorar o relacionamento com o presidente, o chefe do BC também poderá se apresentar como interlocutor do governo junto à oposição, da qual é próximo, disse uma das pessoas.
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