Bloomberg — O Brasil registrou no mês passado o maior déficit fiscal mensal desde a pandemia, em resultado muito pior do que o esperado, à medida que o governo efetuou pagamentos determinados pela Justiça e intensificou estímulos antes das eleições de outubro.
O déficit nominal do país chegou a R$ 199,5 bilhões em março, acima de todas as projeções de uma pesquisa da Bloomberg que tinha mediana de R$ 153,9 bilhões, informou o Banco Central na quinta-feira (30). Foi o maior rombo desde junho de 2020.
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O déficit primário do Brasil — que exclui os pagamentos de juros e também é acompanhado de perto pelos investidores — ficou em R$ 80,7 bilhões em março.
Dados do Tesouro indicam que o governo desembolsou R$ 68 bilhões em precatórios durante o mês, parte de um esforço para zerar um passivo acumulado e, ao mesmo tempo, injetar estímulos na economia antes do pleito de outubro.
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Mas mesmo excluindo os precatórios, o resultado foi pior do que o do ano anterior, escreveu Alberto Ramos, economista-chefe para a América Latina do Goldman Sachs, em relatório.
“A falta de controle dos gastos comprometeu gravemente a credibilidade das metas fiscais e contribuiu para uma economia superaquecida e excessivamente endividada”, afirmou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se prepara para uma disputa eleitoral difícil, já que pesquisas recentes o mostram empatado com o principal adversário de direita, o senador Flávio Bolsonaro.
Esse cenário político leva investidores a esperar mais estímulos e maior deterioração das contas públicas.
O governo lançou recentemente cortes de impostos sobre combustíveis e subsídios, e autoridades devem anunciar um amplo programa de renegociação de dívidas de consumidores ainda nesta semana.
-- Com a colaboração de Giovanna Serafim.
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