Flávio Bolsonaro nega que recursos de Vorcaro, do Master, tenham beneficiado irmão

Em entrevista à GloboNews, Flávio Bolsonaro disse que recursos captados de Daniel Vorcaro foram destinados a fundo administrado por advogado ligado a Eduardo Bolsonaro e negou que o irmão tenha sido beneficiado

Declarações do senador ocorrem após reportagens apontarem que a PF suspeita de uso de parte dos recursos recebidos de Vorcaro para beneficiar Eduardo Bolsonaro
Por Daniel Carvalho

Bloomberg — O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro negou que o dinheiro que pediu ao banqueiro Daniel Vorcaro fosse destinado ao seu irmão mais novo, Eduardo Bolsonaro, em meio à crescente pressão sobre sua campanha ainda incipiente.

Em entrevista a GloboNews na quinta-feira, o senador de 45 anos e principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou que os recursos solicitados a Vorcaro tinham como objetivo financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

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Mais cedo no mesmo dia, a imprensa local havia noticiado que a Polícia Federal suspeita que Flávio Bolsonaro tenha usado parte dos recursos recebidos do ex-CEO do Banco Master para ajudar Eduardo Bolsonaro, que vive nos EUA.

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“Não foi para o Eduardo Bolsonaro”, disse Flávio em entrevista à GloboNews. Segundo ele, o dinheiro era destinado ao filme e apenas passou por um advogado que administrava um fundo onde os recursos foram depositados.

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Os comentários fazem parte da mais recente tentativa de Flávio de explicar sua relação com Vorcaro, depois que o Intercept Brasil revelou que ele havia solicitado milhões de reais ao banqueiro, que enfrenta acusações de fraude que abalaram a política brasileira.

As revelações ameaçam prejudicar as chances de ele derrotar Lula, de 80 anos, na eleição de outubro.

Os veículos brasileiros, sem citar fontes, reportaram que o dinheiro foi transferido para um fundo sediado nos EUA administrado por um advogado que representa Eduardo Bolsonaro.

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Vorcaro já havia pago R$ 61 milhões para financiar um filme sobre o ex-presidente Bolsonaro, segundo o Intercept Brasil. Em um áudio vazado de 2025, Flávio pede mais recursos ao ex-banqueiro, referindo-se a ele carinhosamente como seu “irmão”.

“Para colocar de pé uma estrutura dessa, criar um fundo, cuidar das questões legais, de burocracia, você tem que contratar um advogado que entenda dessa área”, disse Flávio Bolsonaro.

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O senador pelo Rio de Janeiro decidiu se candidatar à Presidência no final do ano passado, após ser escolhido por seu pai para concorrer em seu lugar. Jair Bolsonaro foi impedido de concorrer e permanece preso após ser condenado por tentativa de golpe de Estado, visando se manter no poder depois de sua apertada derrota na reeleição para Lula em 2022.

Flávio Bolsonaro destacou que o advogado era uma pessoa de confiança de seu irmão e havia ajudado Eduardo com sua documentação de imigração nos EUA.

Em uma declaração publicada no X após a entrevista do irmão, Eduardo Bolsonaro negou ter recebido dinheiro do fundo de investimentos e afirmou que o escritório de seu advogado atua tanto em imigração quanto em gestão patrimonial e fundos de investimento.

“Todos os investimentos foram feitos nos EUA porque a produção foi americana, com atores americanos.”, disse na publicação.

Na entrevista, Flávio Bolsonaro também tentou explicar por que inicialmente negou qualquer contato com Vorcaro, citando o contrato de financiamento do filme.

“Quando eu falo, quando eu nego, na verdade, que eu conhecia, que eu tinha contato com ele é porque tinha uma cláusula de confidencialidade nesse contrato”, disse ele.

A controvérsia é o mais recente capítulo do escândalo em torno da derrocada do Banco Master, liquidado no fim do ano passado em meio a acusações de gestão fraudulenta e pagamento de propinas.

Leia também: Reportagem liga Flávio Bolsonaro ao Banco Master e derruba ativos brasileiros

O caso abalou o establishment político brasileiro depois que autoridades acusaram Vorcaro, antes visto como um banqueiro promissor, de comandar um suposto esquema expressivo de fraude.

O Intercept Brasil citou documentos e mensagens de WhatsApp de 2024 e 2025 entre Flávio e Vorcaro, preso pela segunda vez em março. O veículo não informou como obteve o material, apresentado como evidência de que Vorcaro forneceu cerca de R$ 134 milhões para produzir o filme.

Flávio Bolsonaro não é investigado pela polícia nem enfrenta acusações legais de irregularidades.

As revelações desta semana aprofundaram os temores sobre os desdobramentos de um escândalo que já alcançou o Supremo Tribunal Federal, o Banco Central e, na semana passada, um influente senador que integrou o governo Jair Bolsonaro.

Na quinta-feira, o pai de Vorcaro foi preso enquanto as investigações continuam.

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