EUA anunciam que vão classificar PCC e CV como organizações terroristas

Medida vai contra o que defendia o governo Lula e ocorre após Trump já ter classificado diversos grupos criminosos de outras partes da América Latina como organizações terroristas, ampliando sua ofensiva contra facções do narcotráfico

Rubio Calls India ‘Critical’ to US as H-1B Visas Add to Tensions
Por Augusta Saraiva

Bloomberg — Os EUA vão classificar as duas principais facções criminosas do Brasil como organizações terroristas, em uma medida que deve reacender as tensões entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou nesta quinta-feira (28) que os EUA aplicarão a classificação ao Primeiro Comando da Capital, o PCC, e ao Comando Vermelho, o CV.

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O PCC é uma potência em lavagem de dinheiro que se infiltrou em redes de distribuição de combustíveis e fintechs, enquanto o CV é a facção do Rio de Janeiro que esteve no centro da operação policial mais letal da história do Brasil, em outubro.


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A medida ocorre após Trump já ter classificado diversos grupos criminosos de outras partes da América Latina como organizações terroristas, ampliando sua ofensiva contra facções do narcotráfico para a maior economia da região.

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“O governo Trump continuará a usar todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional, mantendo as drogas ilícitas fora de nossas ruas e interrompendo os fluxos de receita que financiam narcoterroristas violentos”, disse Rubio em um comunicado.

A medida segue a designação anterior de Trump de vários grupos criminosos do México e de outras nações como organizações terroristas.

Lula visitou a Casa Branca no início deste mês, como parte de um esforço para evitar o que o Brasil vê como uma medida contraproducente que representará riscos tanto para seu sistema financeiro quanto para sua soberania.

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Em vez disso, o presidente brasileiro procurou convencer Trump a aprofundar a cooperação dos EUA com os esforços de seu governo para combater grupos como o PCC, visando operações de lavagem de dinheiro e redes de contrabando.

O líder esquerdista também viu a designação como uma medida que poderia abrir caminho para que os EUA justificassem uma ação militar em seu território, especialmente em meio a ataques aéreos desenfreados contra supostos traficantes de drogas no Caribe, uma operação que derrubou o líder venezuelano Nicolas Maduro e expandiu a atividade das forças armadas em toda a região.

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A decisão repercutirá politicamente no Brasil antes da eleição de outubro, na qual Lula está enfrentando um desafio de Flávio Bolsonaro, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, um aliado de Trump.

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Com a criminalidade em primeiro lugar na mente dos eleitores brasileiros, Flávio prometeu adotar uma abordagem rígida em relação à segurança pública. Ele se reuniu brevemente com Trump na Casa Branca nesta semana e disse que pediu ao líder dos EUA que aplicasse a designação aos grupos.

A medida dos EUA também provocará incertezas no sistema financeiro e econômico do Brasil, já que os bancos e outras empresas procuram entender as implicações.

No ano passado, os Estados Unidos visaram três bancos mexicanos por potencialmente lavarem recursos provenientes do tráfico de drogas, efetivamente bloqueando-os do sistema financeiro americano.

Nos últimos anos, as autoridades brasileiras afirmaram ter descoberto evidências de que o PCC está lavando dinheiro por meio de fintechs. No ano passado, a Polícia Federal realizou a maior operação de crime organizado do país, derrubando uma operação de lavagem de dinheiro no valor de quase US$ 10 bilhões.

As relações entre Trump e Lula azedaram no ano passado, quando o presidente dos Estados Unidos impôs tarifas pesadas contra o Brasil em uma tentativa malsucedida de impedir o julgamento de Jair Bolsonaro por acusações de tentativa de golpe. Eles reataram os laços após uma reunião improvisada nas Nações Unidas em setembro, e Trump saiu de seu encontro mais recente elogiando Lula como um líder “dinâmico”.

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