Bloomberg — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu a Donald Trump que retome as negociações sobre as tarifas americanas contra o Brasil durante um telefonema nesta sexta-feira (21), buscando amenizar as relações com Washington antes das eleições de outubro.
Lula rebateu as alegações americanas de práticas comerciais desleais que levaram à imposição de tarifas de 25% sobre muitos produtos brasileiros, chamando-as de “infundadas” durante uma ligação que durou mais de uma hora, informou o governo brasileiro em comunicado.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
Trump propôs que autoridades de ambos os governos se reunissem o mais breve possível, segundo o Brasil. Um funcionário da Casa Branca confirmou que a ligação ocorreu, mas não forneceu detalhes.
Leia também: EUA vão importar até 300 mil toneladas de carne moída sem tarifa, diz Trump
Esta é a primeira ligação entre os dois líderes desde que as relações se deterioraram em maio, quando os EUA classificaram dois grandes grupos criminosos brasileiros como organizações terroristas antes da imposição de tarifas, em julho.
As medidas contribuíram para mergulhar os EUA e o Brasil em uma disputa diplomática, depois que Lula acusou Washington de tentar interferir nas eleições brasileiras em favor de Flávio Bolsonaro.
No final de julho, o governo bloqueou vistos para dois funcionários do Departamento de Estado por suspeitar que eles planejassem questionar a integridade do sistema eleitoral do país.
Em seguida, os EUA rebaixaram o status do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, embora ela continue autorizada a trabalhar no país, após alegarem que o governo Lula está atrasando o credenciamento de seu enviado diplomático a Brasília.
Trump perguntou como está indo a eleição no Brasil, disse uma fonte a par do telefonema. Lula respondeu que a eleição está ocorrendo sem problemas, ao mesmo tempo em que destacou a confiabilidade do sistema eleitoral, afirmou a fonte.
Lula e Trump entraram em atrito no ano passado depois que o líder americano impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros em uma tentativa malsucedida de ajudar o ex-presidente Jair Bolsonaro a escapar de acusações por tentativa de golpe. Trump posteriormente retirou as tarifas.
Lula também reiterou seu interesse em cooperar com os EUA no combate ao crime organizado, afirmando que o Brasil dispõe dos instrumentos necessários para enfrentar esses grupos sem uma classificação especial, segundo o comunicado.
Veja mais em bloomberg.com
Leia também
Exceções em tarifaço apontam ‘onde dói’ nos EUA para Brasil retaliar, diz economista
Senado americano aprova embaixador dos EUA no Brasil e pode agravar crise diplomática
© 2026 Bloomberg L.P.








