Bloomberg — A Tyson Foods elevou sua projeção de lucro para o ano fiscal, à medida que a forte demanda por proteína sustenta o crescimento, mesmo com o segmento de carne bovina, em dificuldade, ainda não apresenta sinais de recuperação.
A maior processadora de carnes dos EUA agora prevê um lucro operacional ajustado entre US$ 2,2 bilhões e US$ 2,4 bilhões no ano fiscal, um aumento de US$ 100 milhões em relação à estimativa anterior.
O maior apetite dos consumidores por proteína impulsionou as compras de frango e carne suína, além de permitir à Tyson repassar preços mais altos da carne bovina para compensar os impactos do custo elevado do gado nos EUA.
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Mas, embora o lucro ajustado da companhia no trimestre tenha superado as estimativas dos analistas, a divisão de carne bovina registrou um prejuízo maior.
A empresa agora espera que esse segmento tenha perdas entre US$ 350 milhões e US$ 500 milhões em 2026, elevando o piso da projeção — anteriormente em US$ 250 milhões.
A perspectiva mais negativa é mais um sinal de que a situação para os processadores de carne bovina não deve melhorar rapidamente, já que o rebanho dos EUA está no menor nível em 75 anos.
A Tyson tentou redimensionar sua principal divisão, inclusive com o fechamento de uma unidade em Nebraska e a redução de uma planta no Texas para apenas um turno.
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Mas qualquer alívio estrutural decorrente dessas medidas só deve aparecer em trimestres posteriores, disse Marina Cavalcante, analista da Bloomberg Intelligence.
Os resultados também ocorrem no momento em que o presidente Donald Trump determinou que o Departamento de Justiça investigue o setor de processamento de carnes em meio a preços recordes da carne bovina.
A Bloomberg informou no fim do mês passado que a agência abriu uma investigação criminal sobre como frigoríficos, incluindo a Tyson, compram gado de pecuaristas.
A concentração no setor — quatro empresas controlam cerca de 85% das compras de gado nos EUA, segundo o Departamento de Agricultura (USDA) — já gerou preocupações sobre preços no passado.
Mas a gravidade da atual escassez de gado elevou os preços a níveis tão altos que os frigoríficos têm prejuízo em cada animal processado, segundo dados da HedgersEdge.
O contrato futuro de gado pronto para abate em Chicago atingiu um novo recorde na última quarta-feira.
As expectativas de uma recomposição rápida do rebanho foram frustradas, já que mais de 70% do gado dos EUA está em áreas afetadas por clima seco ou seca, segundo dados do US Drought Monitor até 28 de abril.
Isso limita a disponibilidade de pastagens e desestimula os pecuaristas a manter animais para reprodução.
Os processadores podem se beneficiar do aumento das importações de carne bovina, que são misturadas a produtos nos EUA para carne moída. Mas outra fonte importante de oferta, o gado vivo vindo do México, deve permanecer restrita por mais tempo, já que a detecção recente do parasita screwworm — uma praga letal para o gado — tem avançado.
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Isso tem levado frigoríficos como a Tyson a depender mais do frango, que tem sido mais rentável em meio a ganhos de eficiência e à forte demanda por uma proteína relativamente mais barata.
Os preços no atacado do peito de frango se recuperaram no segundo trimestre, após terem caído no outono passado ao menor nível em mais de um ano.
O lucro operacional ajustado de US$ 523 milhões no negócio de frango da Tyson no segundo trimestre representou alta de 27% em relação ao mesmo período do ano anterior.
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