Singapura quer atrair US$ 500 mi para proteger alimentos de riscos climáticos na Ásia

Veículo de adaptação climática poderá combinar recursos públicos, privados e filantrópicos para financiar agricultura e aquicultura a fim de reduzir riscos para investidores e financiar projetos contra efeitos do aquecimento global

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Bloomberg — Singapura, que importa mais de 90% de seus alimentos, está analisando uma proposta para levantar cerca de US$ 500 milhões para um fundo destinado a aumentar a resiliência climática nas cadeias de abastecimento do Sudeste Asiático.

O plano prevê que a Autoridade Monetária de Singapura crie um fundo de adaptação voltado para a proteção de setores como a agricultura e a aquicultura contra os impactos de condições climáticas extremas e do aquecimento global, segundo pessoas a par das discussões.

As autoridades pretendem ajudar a garantir financiamento para projetos que atualmente enfrentam dificuldades para atrair recursos, afirmaram essas pessoas, que pediram para não serem identificadas, uma vez que as discussões são confidenciais.

O fundo poderia ser lançado no início do próximo ano, quando Singapura assumir a presidência rotativa da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), o bloco de 11 economias regionais, afirmaram as fontes. As considerações estão em um estágio inicial e nenhuma decisão final foi tomada, inclusive quanto ao valor final a ser arrecadado, acrescentaram.

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Instituições de financiamento ao desenvolvimento e fontes de capital privado seriam as alvo para fornecer o financiamento, afirmaram as fontes.

De acordo com as propostas, o governo de Singapura também pretende convidar fundações filantrópicas a fornecer capital em condições favoráveis para absorver parte do risco de investimento e ajudar a incentivar investidores privados e bancos comerciais a apoiar os projetos, segundo uma das fontes.

A Autoridade Monetária de Singapura não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

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A dependência de Singapura em relação às importações de alimentos significa que os formuladores de políticas têm repetidamente destacado as ameaças potenciais representadas pelas mudanças climáticas, interrupções na cadeia de abastecimento e surtos de doenças que afetam animais ou plantas.

O governo lançou uma licitação para contratar consultores que analisem os riscos climáticos à segurança alimentar e forneçam recomendações sobre estratégias de adaptação, com essas conclusões a serem compartilhadas com family offices, investidores e empresas.

Temperaturas mais elevadas e secas, impulsionadas pelo aquecimento global, estão prejudicando os períodos de cultivo de frutas e vegetais, reduzindo a produtividade e aumentando a perda de alimentos em todo o mundo.

Aumentar a resiliência das propriedades agrícolas e da pesca é considerado crucial no Sudeste Asiático, região que produz mais de um quarto do arroz mundial e onde o peixe representa mais da metade do consumo de proteína animal.

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A estrutura do fundo de adaptação poderia ser semelhante aos veículos de transição energética criados no âmbito da iniciativa “Financing Asia’s Transition Partnership” (Parceria para o Financiamento da Transição da Ásia), liderada por Singapura, que utilizam financiamento misto e mecanismos de compartilhamento de risco para projetos de infraestrutura no Sul e no Sudeste Asiático, afirmaram as fontes.

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