Ferrovia da VLI vai levar farelo de soja para exportacão pelo Arco Norte

Nova rota de exportação de farelo de soja levará o produto até o Porto do Itaqui, no Maranhão, diz a diretora-executiva Carolina Hernandez Tascon à Bloomberg News

A redução do custo do frete é fundamental para que o farelo de soja brasileiro consiga competir nos mercados internacionais com a Argentina. (Foto: Paulo Duarte)
Por Dayanne Sousa
PUBLICIDADE

Bloomberg — A operadora de ferrovias VLI inicia uma nova rota de exportação de farelo de soja pelo nordeste do Brasil, um movimento que busca aliviar gargalos logísticos num momento em que o país quer ampliar os embarques do ingrediente usado em alimentação animal.

A VLI coloca em prática um programa de transporte de farelo de soja por ferrovia até o Porto do Itaqui, no Maranhão, segundo a diretora-executiva Carolina Hernandez Tascon, responsável pelas áreas Comercial, Projetos e Planejamento Estratégico. Embarques que até então ocorriam de maneira esporádica passarão a ser constantes durante todo o ano.

PUBLICIDADE

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.


A rota que leva a um dos principais portos do chamado Arco Norte já é usada no transporte de soja e milho de grandes regiões produtoras no Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia.

A logística tem sido um gargalo para o farelo de soja brasileiro num momento em que o país registra um aumento no processamento para atender a demanda por biodiesel.

PUBLICIDADE

Leia também: Da cobertura 4G ao processamento de dados: a estratégia da TIM para crescer no agro

Esse processo gera farelo, deixando o Brasil com um excedente cada vez maior do insumo para ração e aumentando a pressão sobre a capacidade de transporte e armazenagem.

A redução do custo do frete é fundamental para que o farelo de soja brasileiro consiga competir nos mercados internacionais com a Argentina, principal exportadora do produto, afirmou Tascon.

PUBLICIDADE

A menor distância marítima entre os portos do Norte do Brasil e a Europa torna esses terminais especialmente atrativos para exportadores voltados ao mercado europeu.

Embora os investimentos recentes em diversos portos do Arco Norte tenham favorecido os embarques de soja e milho, o farelo de soja exige instalações específicas e segregadas para armazenagem.

Leia também: Alívio nos preços de fertilizantes deve ajudar milho no Brasil e deixar soja de lado

PUBLICIDADE

“A logística pode ser desafiadora nos períodos de pico de safra, quando grandes volumes de soja, no primeiro semestre do ano, e de milho, no segundo semestre, ocupam grande parte da capacidade de armazenagem disponível”, afirmou a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) em nota enviada no mês passado.

Isso deve mudar em breve. A Tres Tentos e a Caramuru Alimentos estão endereçando o mesmo desafio com um investimento no estado do Pará. O terminal de Miritituba deve se tornar operacional no último trimestre do ano.

Para a VLI, testes com cargas de farelo de soja vão começar ainda este mês, disse Tascon. A companhia está dedicando espaço de armazenamento em seus terminais conectados à ferrovia, enquanto os terminais portuários TPSL e Tegram também vão armazenar e transportar farelo, disse a executiva.

Veja mais em bloomberg.com

Leia também

Na Mantiqueira, ovos especiais atingem 32% das vendas no Brasil. O fundador quer mais

Êxodo de trabalhadores para o Brasil pressiona produtores de erva-mate da Argentina