Bloomberg Línea — O Brasil responde por 37% das exportações mundiais de frango, e o pior do ciclo de preços domésticos pode ter ficado para trás. É o que indica a avaliação da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) compilada pelo J.P. Morgan em relatório de equity research para América Latina divulgado pelo banco na última quarta-feira (3).
Após recuo em dezembro e janeiro, reflexo de endividamento das famílias e demanda mais fraca no fim do ano, o setor ajustou a oferta interna e ampliou os embarques em fevereiro e março. Para 2026, a projeção é exportar 5,5 milhões de toneladas, crescimento de 3,3%.
“Os preços do frango parecem ter atingido o piso, mas devem se recuperar gradualmente”, diz a equipe de analistas do banco em relatório assinado por Lucas Ferreira, Larissa Perez e Froylan Mendez.
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De janeiro a abril, os embarques de frango já acumulavam expansão de 4,3% em volume e 6,1% em receita, desempenho positivo mesmo com a retração das vendas para os Emirados Árabes Unidos, principal destino brasileiro no Oriente Médio.
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Japão, África do Sul, União Europeia e Filipinas compensaram parte do recuo. A produção de frango deve chegar a até 15,6 milhões de toneladas no ano, alta de 2%.
“O primeiro trimestre foi pressionado pela demanda doméstica e pela fraqueza de preços, mas as exportações permanecem resilientes, os custos estão estáveis e múltiplos catalisadores podem melhorar o mix e os preços”, escreve a equipe do banco.
O diagnóstico do J.P. Morgan sobre preços do frango é de recuperação gradual, sem perspectiva de alta acentuada no curto prazo. Milho e farelo de soja, que respondem por mais de 70% do custo de produção do setor, estão disponíveis sem pressão de oferta.
O real mais forte, porém, reduz o ganho de tradução cambial nas exportações. O banco aponta que cotações internacionais costumam cair com rapidez e recuperar lentamente.
Suínos: catalisador chinês
Na suinocultura, o quadro é descrito como mais favorável. A projeção para 2026 é de produção de até 5,7 milhões de toneladas e exportações de 1,55 milhão de toneladas, crescimento de 2,6%.
De janeiro a abril, os embarques já cresciam 14,2% em volume e 14,1% em receita, impulsionados por Filipinas e Japão, com queda para China e Hong Kong.
O principal catalisador de curto prazo para o suíno é o reconhecimento pela China do Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação.
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“O suíno tem uma inclinação de alta mais visível no curto prazo, a partir do acesso sanitário à China, da diversificação de mercados e da demanda sazonal, enquanto os custos de alimentação permanecem estáveis”, segundo o relatório.
A ABPA estima que isso poderia redirecionar cerca de 40 mil toneladas de mercados de menor preço para destinos mais rentáveis, com potencial de adicionar US$ 150 milhões ao valor exportado.
O benefício seria mais expressivo em miúdos e produtos com osso, segmentos em que o Brasil passaria a concorrer diretamente com a Europa no mercado chinês.
Os riscos apontados pelo relatório incluem gripe aviária, registrada em 62 países no início de 2026, peste suína africana presente em 25 países, valorização cambial, regulação trabalhista e possíveis interrupções logísticas.
O Oriente Médio concentrou 26% das exportações brasileiras de frango no acumulado de janeiro a abril de 2026, o que mantém a região como ponto de atenção diante das tensões no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho.
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