Banco do Brasil estuda alívio a produtores rurais por impacto da guerra, diz fonte

De acordo com uma pessoa com conhecimento do assunto que falou com a Bloomberg News, uma das opções em discussão é estender os prazos de empréstimos; banco diz que não há ‘estudo e nem demanda que envolvam ações específicas para extensão de prazos por conta dos conflitos no Oriente Médio’

Banco do Brasil
Por Martha Beck - Rachel Gamarski - Matheus Piovesana
30 de Março, 2026 | 11:51 PM

Bloomberg — O Banco do Brasil avalia novas medidas de alívio financeiro para produtores rurais afetados pela guerra no Irã, em um movimento que pode pressionar o balanço e reacender a necessidade de venda de ativos ou de um aumento de capital.

Uma das opções em discussão no banco estatal, maior financiador do agronegócio no país, é estender os prazos dos empréstimos, permitindo que os produtores adiem parte dos pagamentos para o fim dos contratos existentes, em vez de suspender as obrigações de forma integral, segundo uma pessoa com conhecimento do assunto que falou com a Bloomberg News.

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No ano passado, o Banco do Brasil (BBAS3) conseguiu evitar um aumento de capital quando a inadimplência em sua carteira de crédito agrícola disparou, forçando a renegociação de R$ 35,5 bilhões em dívidas de produtores afetados por secas, enchentes e outros eventos climáticos adversos.


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A pressão sobre o balanço do banco diminuiu no fim do ano, com o aumento das receitas provenientes de crédito consignado privado, mas o risco de um aumento de capital ainda persiste, segundo três pessoas familiarizadas com a situação que falaram com a Bloomberg News.

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O banco também avalia a venda de ativos para reforçar o capital, de acordo com três diferentes pessoas familiarizadas com o assunto.

As opções incluem mudanças no modelo de negócios de seguros e um possível IPO da sua unidade de cartões, a Elo.

O Banco do Brasil disse em um comunicado que não há “estudo e nem demanda que envolvam ações específicas para extensão de prazos por conta dos conflitos no Oriente Médio.”

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O índice de inadimplência acima de 90 dias do banco subiu para 5,17% ao fim de 2025, ante 3,16% um ano antes, impulsionado principalmente pelas carteiras de agronegócio e cartões de crédito.

A inadimplência no setor rural atingiu 6,09%, com alta de 1,25 ponto percentual apenas no quarto trimestre, levando a maiores provisões.

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No início deste ano, o Banco do Brasil solicitou ao Ministério da Fazenda o adiamento de pagamentos ao Tesouro. A instituição pediu para postergar R$ 1,8 bilhão devidos em 2026 e 2027 para 2029.

A CEO, Tarciana Medeiros, afirmou que a medida faz parte de um plano “prudencial” de gestão de capital.

Impacto da guerra

O Banco do Brasil avalia se as interrupções no transporte marítimo global — especialmente os riscos ao fluxo pelo Estreito de Ormuz — podem elevar os custos para exportadores brasileiros de commodities e eventualmente exigir medidas de alívio, segundo uma pessoa a par do assunto.

Executivos monitoram de perto as próximas 12 semanas como uma janela-chave para avaliar se o conflito irá afetar significativamente as rotas globais de comércio. Por ora, as exportações brasileiras seguem ocorrendo, embora o aumento nos preços do diesel já tenha elevado os custos de transporte.

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Novas medidas de alívio poderiam ajudar Lula a reduzir tensões com o agronegócio antes das eleições, mas também podem reacender preocupações sobre o uso de bancos públicos para atingir objetivos de política econômica em detrimento da solidez do balanço. Todas as fontes falaram sob condição de anonimato devido à sensibilidade do tema.

O Banco do Brasil há muito atua como um instrumento-chave do governo para financiar o vasto setor agrícola brasileiro, que responde por quase um quarto do Produto Interno Bruto (PIB).

Esse papel é especialmente relevante para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que historicamente enfrenta dificuldades para conquistar apoio do agronegócio e agora encara uma disputa eleitoral apertada contra o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O banco também enfrenta um ambiente operacional mais desafiador. Uma regra do Banco Central implementada no ano passado exige que os bancos constituam provisões antecipadas para perdas esperadas e deixem de reconhecer juros sobre créditos inadimplentes.

Embora o Banco do Brasil tradicionalmente seja mais conservador que seus pares, registrando provisões mais elevadas, essa postura foi relaxada mais recentemente na tentativa de sustentar a rentabilidade. A mudança regulatória agravou uma tendência mais ampla de aumento da inadimplência.

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