A vez do frango? Carne bovina cara perde espaço nos EUA com mudança no consumo

O aumento dos preços da carne bovina fez com que consumidores mudassem seus hábitos para cozinhar em casa, optar por cortes mais baratos, ou consumir outras fontes de proteína; para aliviar a pressão, os EUA estão importando mais carne de países como a Argentina e reabrindo ao comércio de gado do México

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Bloomberg — Aaron Kaufman costumava atingir suas ambiciosas metas diárias de proteína — um grama para cada meio quilo de peso corporal — com carne moída.

Então, no primeiro semestre, o homem de 32 anos se mudou do Brooklyn para Manhattan. Para compensar o custo mais alto do aluguel, ele tem gastado mais com compras de supermercado em vez de comer fora.

Mas, em sua primeira visita ao supermercado local, ele percebeu que a carne bovina moída custava cerca de US$ 16 por quilo, em comparação com US$ 12 no Brooklyn. Ele decidiu mudar de fonte de proteína, optando principalmente por alternativas mais baratas, como o frango.

Ele ainda prefere o sabor da carne bovina. “De vez em quando, eu me dou ao luxo de comprá-la, se estiver em promoção”, disse Kaufman.

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Ele não está sozinho. Após suportarem quase dois anos de alta nos preços da carne bovina, os americanos finalmente mostram sinais de que chegaram ao seu limite.

Isso marca uma virada notável para um mercado em que o rebanho bovino em declínio nos Estados Unidos repetidamente levou os preços a níveis recordes, mas os consumidores continuaram comprando carne bovina em quantidade suficiente para sustentar preços ainda mais altos.

Agora, essa resiliência está começando a se abalar — e em uma época do ano em que a demanda deveria estar mais forte.

Os volumes de vendas de carne bovina nas 13 semanas encerradas em meados de julho, um período crucial que abrange tanto o feriado Memorial Day quanto o dia da Independência, caíram 0,3% em relação ao ano anterior, de acordo com a empresa de pesquisa Circana.

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No mesmo período de cada um dos dois anos anteriores, os volumes cresceram cerca de 5%. Já o frango continua a registrar aumento no consumo, com a oferta abundante mantendo os preços sob pressão.

Essa mudança sugere que pode finalmente haver um teto para a quantia que os americanos estão dispostos a pagar pela carne bovina, um dos maiores fatores impulsionadores da inflação dos alimentos.

Os consumidores que haviam reagido ao aumento dos preços cozinhando em casa ou comprando cortes mais baratos estão, cada vez mais, deixando de consumir esse produto ou optando por proteínas mais baratas.

“Os consumidores estão com o orçamento apertado”, afirmou Chris DuBois, vice-CEO da empresa de análise de dados Circana. “Nem sempre se trata apenas do preço dos alimentos; há o custo de vida que pesa, e isso exerce certa pressão sobre o volume total de vendas nas lojas.”

A forte alta nos preços da carne bovina tornou-se uma grande preocupação do governo Trump às vésperas das eleições de meio de mandato, já que os custos de itens básicos como ovos, carne moída e gasolina desempenham um papel desproporcional na percepção dos consumidores sobre a inflação.

Os EUA buscam aliviar a pressão importando mais carne de países como a Argentina e tomando medidas para retomar os embarques de gado vivo do México. As empresas de processamento de carne bovina, pressionadas pelo aumento do custo do gado, fecharam fábricas para reduzir a concorrência por animais escassos, incluindo uma medida anunciada na quinta-feira (13) pela Tyson Foods.

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No entanto, essas medidas têm um alcance limitado: o rebanho doméstico permanece próximo ao nível mais baixo em mais de cinco décadas, mantendo a oferta de carne bovina restrita.

Os preços médios da carne bovina ao consumidor permaneceram estáveis em julho, mês que inclui o Dia da Independência, em um sinal de que varejistas e consumidores resistiram a novos aumentos de preços.

Um quilo custou, em média, US$ 14,22 (US$7,11 por libra), informou o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA na quarta-feira (12). Embora esse valor ainda esteja próximo de uma alta recorde, o aumento de 9,4% em relação a julho de 2025 representa o salto anual mais modesto em 17 meses.

É certo que a demanda não desapareceu. Mesmo com cerca de 40% dos compradores de carne bovina afirmando que estão adquirindo a proteína com menos frequência, um subgrupo dedicado de consumidores mais jovens, obcecados por proteínas, continuou a pagar mais caro, afirmou Duncan Angove, diretor executivo da empresa de gestão da cadeia de suprimentos Blue Yonder.

No entanto, a queda nos volumes de carne bovina é especialmente notável durante a temporada de churrascos de verão, quando a demanda por carne bovina deveria estar mais forte.

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“A demanda sazonal é normalmente um dos maiores fatores de sustentação dos preços da carne bovina”, afirmou Shawn Sparks, diretor-gerente da empresa de fornecimento e corretagem de proteínas The Sparks Group. “Quando a demanda começa a enfraquecer durante o pico da temporada de churrascos, isso sugere que a acessibilidade está se tornando um fator mais importante.”

Embora as vendas ainda devam ser impulsionadas pelo Dia do Trabalho, comemorado na primeira segunda-feira de setembro nos EUA, a melhora será “um pouco mais moderada do que nos anos anteriores”, acrescentou Sparks.

Os sinais de enfraquecimento da demanda contribuíram para uma queda acentuada nos preços da carne bovina no atacado e nos contratos futuros de gado vivo a partir do final de junho.

Os contratos futuros em Chicago atingiram o preço mais baixo desde dezembro no final de julho, quando o Departamento de Agricultura dos EUA decidiu retomar as importações de gado do México ainda neste mês, após uma proibição de mais de um ano para impedir a propagação do parasita mortal “mosca-da-carne”.

O mercado registrou uma nova mínima de nove meses na sexta-feira, após a Tyson anunciar seus mais recentes fechamentos de fábricas.

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“Observamos uma cadeia de eventos no lado da demanda que levou a esta situação”, afirmou Abby Greiman, consultora do mercado pecuário da Ever.Ag Insights, sobre a onda de vendas. “O mercado parece muito mais fraco do que tem estado há muito tempo.”

O 250º aniversário dos EUA e a Copa do Mundo já ajudaram a ampliar o consumo, mas “acho que o mercado estava buscando uma oportunidade para recuperar o fôlego, pois vem lidando com preços elevados há muito tempo”, disse Michael Di Sabato, fundador da HighLine Consulting Group. “Esta foi a primeira oportunidade para o consumo recuar um pouco.”

As empresas de fast-food já perceberam a tendência. Michelle Hook, diretora financeira da Shake Shack, afirmou em uma teleconferência com investidores neste mês que a inflação dos preços da carne bovina no segundo semestre do ano será “um pouco menos acentuada”.

A Restaurant Brands International, proprietária da Burger King, afirmou que espera algum alívio, embora “muito mais do que isso” venha no início de 2027.

Ainda assim, os consumidores não devem esperar um alívio imediato. O primeiro porto reaberto para embarques de gado vivo do México não é o maior dos EUA, e esses animais também precisam ser criados por vários meses antes de serem abatidos.

Enquanto isso, o rebanho bovino dos EUA, em 1º de julho, ainda permanece próximo aos níveis mais baixos em cerca de cinco décadas.

Os preços mais baixos só se refletirão no mercado, no mínimo, no final do terceiro trimestre, devido aos estoques remanescentes e aos programas de hedge, afirmou George Paleologou, diretor executivo da Premium Brands Holdings, em uma recente teleconferência sobre resultados financeiros.

Quanto ao momento de repassar essa redução aos clientes, isso depende do quanto os preços caírem, disse Paleologou, cuja empresa comercializa carnes embaladas nos EUA e no Canadá.

“À medida que os preços caírem, repassaremos essa redução. Mas, assim como houve atrasos na alta dos preços, haverá atrasos na queda.”

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