Citi avança na América Latina e projeta repetir crescimento acima da média global

Em entrevista à Bloomberg Línea, Ernesto Torres Cantú, CEO da operação internacional do Citi, diz que os negócios na região têm crescimento acima da média de outros mercados e vê oportunidade para crescer atendendo empresas globalizadas

Ernesto Torres Cantu,
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Bloomberg Línea — O Citi tem registrado na América Latina um crescimento acima da média global do banco, que avança em dois dígitos, e caminha para repetir o mesmo desempenho no consolidado de 2026, de acordo com Ernesto Torres Cantú, CEO da operação internacional do banco.

Em entrevista à Bloomberg Línea, o executivo do gigante de Wall Street, que lidera uma operação com presença física em 90 países, disse que o crescimento tem sido impulsionado pelo avanço da receita com clientes na região e por um ganho de mercado.

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A estratégia perseguida pelo Citi, segundo ele, é ser o principal banco para clientes com necessidades transfronteiras. “Quanto mais global é uma empresa, mais valor conseguimos entregar a ela”, afirmou Torres Cantú, em entrevista na sede do banco em São Paulo.

“Há oportunidades nas duas pontas: empresas globais que querem fazer mais negócios na América Latina e empresas latino-americanas — as brasileiras em particular — que querem se tornar mais globais.”


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Um exemplo de ganho de participação está no negócio de banco de investimento. O Citi encerrou o primeiro semestre na liderança do ranking regional, com 13,8% de participação de mercado, segundo números informados pelo banco — uma alta de 493 pontos-base ante os 8,9% do mesmo período do ano passado, e de 417 pontos-base ante os 9,7% de todo o ano de 2025.

“Sempre estivemos entre os três primeiros, mas este ano em particular passamos à liderança. É essa combinação — atividade dos clientes mais ganho de mercado — que explica esses resultados”, afirmou Torres Cantú.

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Com cerca de 12 mil funcionários na América Latina, o Citi tem aberto novas operações na região. A expansão mais recente é o escritório inaugurado neste mês na Guiana, elevando a 20 o número de países na região onde o Citi tem presença física.

A Guiana vive uma onda intensa de investimentos em razão das descobertas de campos de petróleo e mais que quadruplicou o seu Produto Interno Bruto (PIB) de 2020 a 2025.

“Estamos lá porque nossos clientes, de todo o mundo, fazem negócios lá. É um exemplo bem específico do que falei: empresas globais querendo fazer negócios na região”, disse.

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Citi Sao Paulo

Torres Cantú não vê, por ora, planos de abrir operações em novos países da região no curto prazo. Para ele, o valor do banco para os clientes está menos no tamanho de cada mercado individual e mais na extensão da rede. “Em vez de lidar com 90 bancos diferentes, o cliente lida com um banco em cada país”, afirmou.

Saída da operações de varejo

O crescimento na região também é sustentado pela reestruturação que o banco vem fazendo globalmente, com a saída do varejo bancário em uma série de mercados. O processo já foi concluído em 13 países, incluindo o Brasil com a venda do negócio em 2016, e mais recentemente em junho na Polônia. Outro desinvestimento em curso é no Banamex, no México, do qual Torres Cantú já foi CEO.

O Citi já vendeu 49% no banco de varejo mexicano, antes chamado Citibanamex, a um grupo liderado pelo bilionário Fernando Chico Pardo. Segundo Torres Cantú, o plano do Citi é se desfazer de uma fatia adicional de 2% da operação até o primeiro trimestre do ano que vem e depois se vender o restante da operação em uma oferta de ações.

“O próximo passo é a desconsolidação, o que significa vender uma fatia total de mais de 50%, no início do ano que vem, em algum momento do primeiro trimestre. A partir daí, seguimos para o IPO, dependendo das condições de mercado, como acontece com qualquer IPO”, disse.

“Mas o que é importante é a desconsolidação que vai ocorrer no primeiro trimestre do ano que vem”, ressaltou.

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Segundo Torres Cantú, o plano do Citi é sair completamente da operação de varejo mexicana, para focar no negócio de corporate e investimento do Citi México, que foi separado e segue em uma operação independente “com desempenho muito bom”, segundo ele.

A lógica por trás da saída é a diferença de escala entre os dois modelos de negócio. O banco de varejo, segundo ele, é um negócio local, que depende muito de tamanho e escala, e não se beneficia da presença global do Citi em múltiplos países,

Segundo Torres Cantú, essas operações têm mais espaço para crescer nas mãos de bancos ou operadores locais, o que também libera capital, tempo e foco de gestão do Citi para o negócio institucional. “Em praticamente todos os países em que vendemos o varejo, incluindo o Brasil, hoje somos maiores do que éramos quando ainda tínhamos essa operação”, afirmou.

Perspectiva para a região

Para o negócio de banco de investimento do Citi na região, a expectativa do executivo é de que o mercado de dívida continue crescendo de forma estável, enquanto a divisão entre mercado de capitais acionário e fusões e aquisições deve variar conforme a necessidade de cada cliente.

“Depende da empresa, mas, em um mundo em reacomodação, as empresas agem, e agem rápido. Por isso, não sei dizer se será por meio de aquisições, emissões de ações ou outros caminhos, a depender da especificidade de cada setor, mas a atividade deve continuar forte”, disse.

Sobre IPOs na região, Torres Cantú lembrou que o Brasil ainda não retomou os níveis de 2022 — foram três aberturas de capital neste ano, todas lideradas pelo Citi —, mas disse esperar que a atividade, somada a fusões e aquisições, continue forte.

Na avaliação do executivo, a reacomodação das cadeias de suprimentos globais, a geopolítica e as tarifas relativamente mais baixas impostas pelos Estados Unidos a países da América Latina colocaram a região em uma posição favorável no cenário internacional atual.

Segundo ele, isso ocorre não apenas porque a região é uma forte produtora de commodities minerais e agrícolas, mas porque a região tem uma posição geográfica privilegiada para atender ao mercado americano e se beneficia por ter sido alvo de tarifas de importações relativamente mais baixas do que demais países pelo governo Donald Trump.

“A América Latina tem se mostrado uma grande vencedora em potencial — e também na prática — em tudo isso”, disse Torres Cantú.

O executivo diz que o Citi está crescendo em praticamente todos os países da região. Isso ocorre no Peru, impulsionado pela expansão da indústria de cobre, e também na Colômbia e na Argentina. No caso argentino, o executivo atribui o avanço à expansão em petróleo, gás e agricultura, somada à consolidação fiscal em curso no país.

Já o Brasil é visto como um “país-âncora” para as operações internacionais do Citi, segundo o executivo. O mercado brasileiro está entre os cinco maiores do mundo para o banco fora dos Estados Unidos desde a pandemia e continua oferecendo boas perspectivas de crescimento.

“Vamos continuar crescendo com nossos clientes, tanto empresas brasileiras que fazem negócios globalmente quanto empresas globais que fazem negócios no Brasil. Vemos bastante atividade nas duas frentes”, afirmou.

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