Da demanda ao contexto regulatório: o que explica a alta do Bitcoin rumo a US$ 80 mil

Executivos do setor consultados pela Bloomberg Línea apontam três fatores para a recuperação: menor tensão geopolítica, compras institucionais e perspectiva de maior segurança jurídica nos EUA

Alta reflete maior apetite por risco após distensão no Oriente Médio, além de compras institucionais que ajudam a sustentar preços e reduzir volatilidade (Foto: David Lombeida/Bloomberg)

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O Bitcoin, a criptomoeda mais popular, está se aproximando cada vez mais dos US$ 80.000, depois de ter começado o mês de abril em US$ 68.193 e ter atingido mínimas próximas a US$ 63.000. Mas ao que se deve essa recuperação?

Os analistas destacam três fatores específicos: a distensão geopolítica, a manutenção da demanda institucional e um contexto regulatório mais favorável nos Estados Unidos.

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A Bloomberg Línea consultou executivos do setor de criptomoedas, que concordaram com esses pontos, embora com ênfases diferentes.

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A visão da Bitso

Julián Colombo, diretor da Bitso para a América do Sul, afirmou que o bitcoin deixou de se comportar como um ativo isolado e passou a integrar-se à dinâmica dos mercados financeiros globais.

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Nesse contexto, ele explicou que a recente alta está relacionada, em primeiro lugar, a uma melhora no cenário geopolítico.

Ele destacou que o conflito com o Irã havia impactado negativamente os preços dos ativos em nível global — incluindo as criptomoedas —, de modo que sinais como a reabertura do Estreito de Ormuz ou a prorrogação de um cessar-fogo promovido pelos Estados Unidos para facilitar as negociações de paz geraram uma mudança no clima do mercado.

Esse alívio se traduziu em maior apetite pelo risco e em uma recuperação dos preços.

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Em segundo lugar, ele destacou o peso da demanda institucional. Ele indicou que os ETFs de Bitcoin registraram entradas líquidas significativas nos últimos dias, com fundos acumulando vários dias consecutivos de fluxos positivos.

Segundo ele, esse tipo de demanda não apenas impulsiona o preço, mas também desempenha um papel de contenção ao absorver a pressão de venda, contribuindo para uma maior estabilidade do mercado.

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O terceiro fator que ele mencionou é o regulatório. Colombo afirmou que as expectativas em relação a avanços legislativos nos Estados Unidos, em particular iniciativas voltadas para definir com maior clareza a classificação dos ativos digitais, estão gerando um clima de otimismo.

Ele destacou que o mercado de criptomoedas costuma antecipar esse tipo de mudança e que uma maior segurança jurídica é um dos elementos mais relevantes para a entrada sustentada de capital institucional.

Lemon

Na Lemon, concordaram com a importância central da demanda institucional, mas acrescentaram outros fatores para explicar a dinâmica recente.

Eles observaram que, mesmo em um cenário de taxas de juros elevadas e um dólar forte — condições que historicamente atuavam como um freio para o Bitcoin —, o ativo conseguiu manter níveis elevados de cotação.

Isso, segundo eles, reflete uma maior maturidade do mercado e uma demanda mais estrutural, com participação crescente de investidores institucionais.

Nesse sentido, eles destacaram que os fluxos positivos para os ETFs continuam sendo um importante fator de sustentação para o preço.

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No entanto, também incluíram fatores técnicos na análise. Explicaram que, em movimentos de alta como o recente, o fechamento de posições vendidas tende a acelerar as subidas, gerando um efeito de amplificação da alta além dos fundamentos.

A isso somou-se o impacto da situação geopolítica. Assim como Colombo, eles mencionaram que o alívio das tensões — com eventos como a reabertura do Estreito de Ormuz — contribuiu para diminuir a pressão sobre os mercados globais.

Essa mudança de contexto possibilitou uma recuperação dos ativos de risco, entre os quais se inclui o Bitcoin.

Bit2Me

Pablo Casadio, cofundador da Bit2Me, também atribuiu a recuperação a uma combinação de fatores, com foco em três eixos.

Por um lado, destacou a continuidade das compras institucionais, particularmente por parte de grandes participantes que continuam acumulando posições.

Segundo ele, esse comportamento não só afeta o preço, mas também contribui para reforçar a confiança no mercado.

Em segundo lugar, ele destacou a questão regulatória nos Estados Unidos. Ele observou que há expectativas em relação a avanços legislativos que poderiam trazer maior previsibilidade ao ecossistema de criptomoedas, um aspecto que o mercado valoriza especialmente após anos de incerteza regulatória.

Por fim, ele levou em conta fatores do contexto regulatório internacional.

Ele mencionou que alguns sinais relacionados ao uso de criptoativos em pagamentos internacionais estão sendo interpretados de forma positiva pelo mercado.

Em conjunto, esses elementos configuram um cenário de maior otimismo, embora ainda marcado por episódios de volatilidade.