Bloomberg — Os depósitos bancários dos Estados Unidos caíram na semana passada, indicando que o sistema financeiro continua frágil após uma série de colapsos bancários.
Os depósitos diminuíram US$ 76,2 bilhões na semana encerrada em 12 de abril, de acordo com dados dessazonalizados do Federal Reserve (Fed) divulgados na sexta-feira (21). A queda foi principalmente em instituições grandes e estrangeiras, mas também afetou bancos menores.
Enquanto isso, os empréstimos dos bancos comerciais aumentaram US$ 13,8 bilhões na semana passada em uma base ajustada sazonalmente. Em uma base não ajustada, os empréstimos e arrendamentos caíram US$ 9,3 bilhões.
Os dados oferecem um quadro misto. Os depósitos retomaram a queda após saltarem na semana anterior. Eles caíram acentuadamente no mês passado, logo após as falências do Silicon Valley Bank (conhecido como SVB) e outros, e agora estão no nível mais baixo desde julho de 2021.
Mas os empréstimos aumentaram pela segunda semana consecutiva, liderados por empréstimos residenciais e ao consumidor, indicando que as condições de crédito estão se estabilizando.
O relatório do Fed, conhecido como H.8, fornece um balanço agregado semanal estimado para todos os bancos comerciais nos EUA. Os economistas estão monitorando de perto para avaliar as condições de crédito depois que vários credores quebraram no mês passado.
O que a Bloomberg Economics diz...
“A corrida aos depósitos em bancos menores no mês passado parece cada vez mais contida, mas a fuga de depósitos em grandes bancos continua em sua trajetória de um ano. Os últimos dados do sistema bancário do Federal Reserve mostram que o ambiente bancário atual é principalmente uma consequência do aperto monetário cumulativo, não de falências bancárias recentes”.
—Stuart Paul, economista
Os empréstimos são essenciais para o crescimento e os gastos dos negócios, e padrões de empréstimos mais rígidos são vistos como um obstáculo emergente para a economia nos próximos meses. No entanto, pode ajudar a reduzir a inflação mais rapidamente do que o esperado anteriormente, de acordo com a última pesquisa da Bloomberg com economistas.
Os dados seguem os balanços desta semana de vários bancos regionais, que disseram esperar ganhar menos com seus negócios de empréstimo este ano. A KeyCorp e o Fifth Third Bancorp estavam entre os que reduziram suas perspectivas para a receita líquida de juros, enquanto as perspectivas do Zions Bancorp eram menores do que o esperado.
Mesmo assim, empresas como a Fifth Third e a Truist Financial Corp. mostraram que o indicador mais observado do trimestre — os níveis de depósito — se manteve estável em um momento em que as retiradas de clientes contribuíram para o colapso de três de seus concorrentes.
Autoridades do Fed comentaram que condições de crédito mais rígidas ajudarão a fazer seu trabalho, o que poderia diminuir a urgência ou possivelmente a necessidade de novos aumentos nas taxas de juros. Ainda assim, os formuladores de políticas devem aumentar as taxas em um quarto de ponto em sua reunião no próximo mês, já que a inflação continua muito alta.
Os 25 maiores bancos americanos respondem por quase três quintos dos empréstimos, embora em algumas áreas-chave — incluindo imóveis comerciais — os bancos menores sejam os provedores de crédito mais importantes.
Em todos os bancos, os ativos totais caíram cerca de US$ 86 bilhões, liderados pelos grandes bancos.
É importante observar que o relatório H.8 se concentra no universo dos bancos comerciais. Quando os ativos são alienados para instituições não bancárias — como no caso dos ativos retidos em liquidação após a falência do Signature Bank — isso pode distorcer a imagem.
O relatório é baseado principalmente em dados relatados semanalmente por uma amostra de cerca de 875 bancos credenciados no mercado interno e instituições estrangeiras.
--Com a ajuda de Max Reis
Veja mais em Bloomberg.com
Leia também:
A visão de Bill Gross, ex-Pimco, após a quebra do SVB: aposte em bancos regionais
À prova de crise? Cartão Platinum amplia gastos de clientes da American Express
Balanços corporativos dos EUA têm melhor início em uma década, diz BofA
© 2023 Bloomberg LP








