Bloomberg Línea — Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia e ótima leitura!
O crescimento de linhas de crédito sem garantia, especialmente de cartões de crédito, tem sido uma fonte de pressão para instituições financeiras tradicionais, bancos digitais e empresas de cartões no Brasil. A situação tem afetado a qualidade do crédito e a lucratividade das empresas, o que é um desafio adicional no momento em que o governo negocia a redução da taxa de juros nas operações com cartão de crédito rotativo, em meio à alta da inadimplência e à taxa Selic elevada.
Na segunda-feira (17), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reuniu com os presidentes de Itaú Unibanco, Bradesco, Santander Brasil, Nubank, além da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), para discutir o tema. Segundo Isaac Sidney, presidente da Febraban, o governo deve criar um grupo de trabalho que pretende avaliar as causas dos juros altos no país nas operações de crédito rotativo dos cartões. A equipe deve contar com a participação de representantes das empresas, do governo e do Banco Central.
Dados do Banco Central indicam que, em média, a taxa de juros cobrada no crédito rotativo do cartão foi de 417,35% ao ano em fevereiro (último dado disponível), a taxa mais alta desde agosto de 2017. Já o endividamento das famílias no país soma 48,8% da renda acumulada em 12 meses até fevereiro, enquanto a inadimplência atingiu 4,1% das operações de crédito de pessoa física em fevereiro, o maior nível desde outubro de 2016.
É um cenário que desafia principalmente as fintechs. Relatório recente da Fitch Ratings apontou que clientes de menor renda representavam quase metade (48,8%) da dívida de cartão de crédito em instituições financeiras não bancárias no final de 2022, em comparação com 23,9% dos grandes bancos.
⇒ Leia mais: Cartão de crédito rotativo: endividamento e inadimplência desafiam as fintechs

No Radar
A expansão da economia chinesa, mais intensa do que o previsto, se mescla com a cautela dos investidores ainda presente antes de importantes balanços bancários nesta jornada, como Bank of America e Goldman Sachs. Análises menos otimistas em relação ao mercado de ações também influenciam o humor.
🇨🇳 China acelera. A economia chinesa acelerou 4,5% no primeiro trimestre, ante previsão média de 4%, após uma expansão de 2,9% no trimestre final de 2022. Os gastos com consumo e o investimento do governo impulsionaram a alta do PIB, enquanto analistas apontam que o investimento imobiliário ainda está abaixo das expectativas e a taxa de desemprego juvenil urbano atingiu 19,6% em março.
🏦 Sem novas emissões. O UBS usará algumas das 299 milhões de ações que recomprou no ano passado para financiar a aquisição do Credit Suisse. Com isso, evitará novas emissões para o acordo de compra de US$ 3 bilhões do credor suíço. Essa alteração no plano foi aprovada pelo órgão regulador da Suíça.
🤖 Musk quer uma IA. Depois de pedir no mês passado uma pausa nos avanços da inteligência artificial, Elon Musk disse que quer criar uma “terceira opção” na corrida disparada pelo ChatGPT, da OpenAI, apoiada pela Microsoft, e o DeepMind, do Google/Alphabet. Enquanto isso, o lançamento do foguete StarShip da SpaceX, de Musk, ficou para o próximo dia 20 após problemas de pressurização ontem. E a Tesla reportou outro acidente fatal com seu modelo S que envolveu o sistema automático de assistência ao condutor.
💲 De olho nos juros. Os estrategistas da BlackRock estão abandonando a tradicional carteira 60/40 para focar em investimentos públicos e privados, bem como participações em títulos para aproveitar taxas de juros mais altas. Eles sugerem “quebrar” essa alocação clássica de 60% em mercado acionário e 40% em obrigações, que não condiz com o regime atual, em que os bancos centrais estão elevando juros na recessão para reduzir a inflação.
→ Leia a nota completa na seção de Mercados

🟢 As bolsas ontem (17/04): Dow Jones Industrials (+0,30%), S&P 500 (+0,33%), Nasdaq Composite (+0,28%), Stoxx 600 (-0,01%), Ibovespa (-0,25%)
Os ganhos foram modestos nas bolsas norte-americanas, com os operadores ainda avaliando os primeiros números da temporada de balanços e a fala de Thomas Barkin, do Fed de Richmond, que disse ser necessário ter “mais evidências” de que a inflação dos EUA esteja voltando para a meta.
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Agenda
Esta é a agenda prevista para hoje:
• EUA: Índice Redbook, Licenças de Construção/Mar, Construção de Novas Casas/Mar, Estoques de Petróleo Bruto
• Europa: Zona do Euro (Índice ZEW de Percepção Econômica/Abr, Balança Comercial/Fev); Reino Unido (Taxa de Desemprego/Fev, Produtividade da Mão de Obra/4T22); Alemanha (Índice ZEW de Percepção Econômica/Abr); Itália (Balança Comercial/Fev)
• Bancos centrais: Discursos de Michelle Bowman (Fed) e Frank Elderson (BCE)
• Balanços: Bank of America, Goldman Sachs, Bank of NY Mellon, Netflix, United Airlines, J&J
🗓️ Os eventos de destaque na semana →
Destaques da Bloomberg Línea:
• Vale busca cobre no Peru de olho em demanda por baterias de carros elétricos
• Acionistas da maior petrolífera dos EUA cobram divulgação de riscos climáticos
• Depósitos da Schwab, corretora dos EUA, caem 30% após crise bancária
→ E mais na versão e-mail do Breakfast:
• Também é importante: Apple Bank vem aí? Depois de cartão e crediário, tech lança conta remunerada | Fleury amplia sinergias com Pardini para até R$ 220 mi e sinaliza receita extra | ChatGPT é capaz de interpretar comunicados do Fed e prever reações ao noticiário
• Opinião Bloomberg: A lição de Warren Buffett sobre investir em ações fora dos Estados Unidos
• Para não ficar de fora: Ladrões levam US$ 1 milhão em ouro de empresa canadense na Argentina
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