Bloomberg — Uma investigação interna do Deutsche Bank (DB) constatou que alguns dos seus funcionários contornaram deliberadamente os controles da instituição para lucrar com a venda incorreta de alguns produtos.
Conhecida como Projeto Teal, a investigação mostrou que alguns funcionários de uma mesa de câmbio sediada em Londres vendiam derivativos a pequenas e médias empresas espanholas, mesmo sabendo que os produtos eram complexos demais para esses clientes, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.
A equipe explorou deficiências nos controles do Deutsche Bank para manter funcionando o esquema lucrativo por vários anos, disseram as pessoas consultadas pela Bloomberg News que pediram para não serem citadas.
“Como já dissemos anteriormente, revisamos partes de nossas atividades de vendas em derivativos cambiais estruturados e tomamos as medidas apropriadas”, disse um porta-voz do Deutsche Bank por e-mail. “Estamos melhorando nossos processos e reforçando nossos controles. Não podemos comentar sobre as especificidades destes assuntos”.
O Deutsche Bank está analisado dezenas de negócios fechados na Espanha há mais de dois anos após queixas de clientes. Muitos deles começaram a reclamar que os derivativos vendidos como produtos baratos de hedge afetaram negativamente seus investimentos quando as taxas de câmbio mudaram inesperadamente de tendência. Desde então, a sondagem interna levou a acordos dezenas de milhões de euros com os clientes afetados no valor e resultou na saída de vários funcionários e executivos, conforme informou anteriormente a Bloomberg.
O banco alemão também está contestando alguns casos, notadamente uma reclamação de 500 milhões de euros (US$ 534 milhões) do Palladium Hotel Group. A empresa espanhola entrou com uma ação judicial alegando que entrou em centenas de transações de câmbio “altamente complexas” que eram “impossíveis” para a Palladium de fixar o preço, valorizar ou entender os riscos e, em última instância, levar a enormes perdas.
A investigação levou ao menos uma dúzia de funcionários do Deutsche Bank a serem sancionados, com foco na mesa de Londres e algumas partes das operações espanholas do credor, disse uma das pessoas. Alguns foram demitidos e outros foram punidos com ações disciplinares, incluindo cortes de bônus, segundo pessoa familiarizada com o tema.
Conduzida por um escritório de advocacia sediado em Londres, a investigação também examinou negócios e controles além do escritório de Londres, mas não encontrou provas de que conduta similar tenha ocorrido em outro lugar. Ainda assim, alguns controles e procedimentos mais amplos foram alterados como resultado da apuração, disse a pessoa.
Outros bancos, incluindo Goldman Sachs (GS) e BNP Paribas, enfrentaram acusações semelhantes de venda indevida de derivativos na Espanha, com o exportador de vinho J. Garcia Carrion tendo apresentando uma queixa contra Goldman à Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido em 2021.
O Financial Times informou anteriormente que o Projeto Teal está quase concluído.
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