Investidores têm menor exposição a ações dos EUA desde 2005

Pela primeira vez desde março de 2020 os gestores participantes da pesquisa do BofA afirmaram que a política monetária está muito restritiva

Segundo o BofA, os investidores estão menos pessimistas do que estavam no 4º tri, levando a uma rotação rumo a mercados emergentes
Por Farah Elbahrawy
PUBLICIDADE

Bloomberg — Investidores estão com a menor exposição desde 2005 a ações de empresas nos Estados Unidos, enquanto migram para regiões mais baratas em meio à maior confiança do mercado, de acordo com a pesquisa global de gestores de fundos do Bank of America (BAC).

Segundo o levantamento, os investidores estão menos pessimistas do que estavam no quarto trimestre, levando a uma rotação rumo a mercados emergentes, Europa e ações de segmentos cíclicos, bem como a um distanciamento de produtos farmacêuticos, de tecnologia e EUA.

PUBLICIDADE

No primeiro mês de 2023 a alocação em ações dos EUA “colapsou”. Investidores tinham posição líquida “underweight” (abaixo da média do mercado, equivalente a venda) de 39% nessa classe de ativos, de acordo com o BofA, superando até os 15% do Reino Unido.

Tanto investidores quanto alguns dos principais estrategistas aumentaram a procura por ações globais em meio ao otimismo com a desaceleração da inflação e a reabertura da China.

O analista Michael Hartnett, que assina o relatório do BofA, recomenda “comprar o mundo” no início do mês.

PUBLICIDADE

Europa x EUA

Ações europeias têm apresentado melhor desempenho em relação aos EUA diante de valuations baratos, enquanto mercados emergentes ultrapassaram o índice S&P 500 neste ano após um rali de ações de companhias chinesas.

No entanto, gestores de fundos ainda permanecem “underweight”, de forma geral, em ações globais à luz dos riscos persistentes para o crescimento econômico.

Os investidores também estão “overweight” (acima da média do mercado, equivalente a compra) em liquidez e títulos com a expectativa de que inflação tenha atingido o pico, o que reforça as apostas em taxas de juros de curto prazo mais baixas, mostrou a pesquisa.

PUBLICIDADE

Os participantes do levantamento também disseram, pela primeira vez desde março de 2020, que a política monetária é muito restritiva. E projetam que a taxa básica do Federal Reserve atinja o pico em 5% no segundo trimestre.

Embora 50% dos entrevistados esperem uma economia mais fraca nos próximos 12 meses, essa é a perspectiva menos pessimista sobre o crescimento global em um ano, à medida que as preocupações com uma recessão desaparecem devido à reversão da política de covid zero na China.

Um total de 253 gestores de fundos com US$ 710 bilhões sob gestão participaram da pesquisa global, realizada entre 6 e 12 de janeiro.

PUBLICIDADE

Entre os “trades” em alta estão posições compradas (aposta na alta): em dólar, em ativos ESG, em ações da China, em petróleo, em Treasuries e títulos com grau de investimento.

Os maiores riscos de cauda são a persistência da inflação em patamar elevado, uma recessão global profunda e a manutenção do aperto monetário pelos bancos centrais.

O sistema bancário paralelo dos EUA, o setor imobiliário da China e a dívida soberana europeia são as fontes mais prováveis de uma crise de crédito, segundo o levantamento.

As posições em caixa (maior liquidez) caíram de 5,9% para 5,3%, a maior queda desde junho de 2020.

Veja mais em bloomberg.com

Leia também:

Arezzo compra marca de calçados femininos Vicenza por R$ 173 milhões

Além de Rial? Americanas contrata Rothschild para negociar com credores

PagSeguro corta quase 500 funcionários para ‘melhorar eficiência’