BlackRock capta US$ 146 bilhões para fundos de longo prazo, acima do esperado

A maior gestora do mundo também ampliou o total de ativos sob sua gestão para US$ 8,59 trilhões ao final de 2022

O lucro líquido ajustado da companhia caiu 18% em 2022 em relação ao ano anterior, para US$ 1,36 bilhão
Por Silla Brush
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Bloomberg — Os clientes da BlackRock continuaram a colocar dinheiro nos fundos de investimento de longo prazo da empresa no quarto trimestre, buscando capitalizar a queda nos mercados de ações e títulos observadas nos trimestres anteriores.

Os fluxos líquidos para esse tipo de fundo somaram US$ 146 bilhões entre outubro e dezembro, segundo reportou nesta sexta-feira (13) a maior gestora de ativos do mundo. O montante superou a média das previsões de analistas consultados pela Bloomberg, de US$ 124 bilhões. Os fluxos líquidos totais, que incluem as saídas das contas de administração de caixa da empresa, foram de US$ 114 bilhões.

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O fluxo de caixa de clientes, juntamente com uma recuperação nos mercados de acionário e de renda fixa no quarto trimestre após as perdas nos primeiros nove meses do ano, impulsionou os ativos sob gestão da BlackRock para US$ 8,59 trilhões no período, ante US$ 7,96 trilhões reportados no final de setembro.

Os investidores sentiram a ameaça de uma recessão gerada pelos esforços do Federal Reserve para domar a inflação com aumento de taxas de juros. O S&P 500 caiu 19% no ano passado, enquanto o índice Bloomberg US Aggregate Index, que inclui títulos do Tesouro, títulos corporativos com grau de investimento, bem como títulos lastreados em hipotecas e ativos, registrou uma queda recorde de 13%.

“Não estamos imunes a condições de mercado complexas e voláteis”, disse o CEO Larry Fink, de 70 anos, em um memorando separado para a equipe. “O atual ambiente operacional é diferente de tudo que vimos em décadas, e 2022 foi um ano de grande transição para a geopolítica e os mercados. Vimos uma reconstrução global das cadeias de suprimentos, inflação crescente, política monetária agressiva e um aprofundamento da polarização política”.

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O lucro líquido ajustado da companhia caiu 18% em 2022 em relação ao ano anterior, para US$ 1,36 bilhão, ou US$ 8,93 por ação. O número também superou a estimativa média de Wall Street de US$ 8,08. A receita caiu 15%, para US$ 4,34 bilhões, superando os US$ 4,25 bilhões previstos pelos analistas.

Reajustes

No início desta semana, a BlackRock anunciou o corte de cerca de 2,5% da sua equipe, um total de 500 empregos, tendo em vista o cenário de incertezas do mercado e o custo do trabalho do ano passado.

Foi a primeira rodada de demissões desde 2019, e os executivos disseram ser necessário administrar as despesas com prudência depois de expandir o número de funcionários nos últimos três anos. Na sexta-feira, a empresa relatou uma despesa de reestruturação no valor de US$ 91 milhões.

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A despesa operacional do quarto trimestre, que inclui essa compensação, caiu 5,1% para US$ 2,91 bilhões em relação ao ano anterior.

Os fluxos líquidos possivelmente teriam sido maiores se não fossem a campanha republicana em vários estados americanos que, coletivamente, retiraram mais de US$ 3 bilhões dos fundos da BlackRock após criticar a visão da empresa sobre o investimento da ESG.

A gestora se transformou em alvo para ambos os extremos do espectro político, com alguns representantes de direita alegando que suas diretrizes prejudicam a indústria de combustíveis fósseis e, de outro lado, outros membros de esquerda argumentando que a gestora não está fazendo o suficiente para responder às mudanças climáticas.

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A BlackRock é a maior emissora de fundos negociados em bolsa, com US$ 2,91 trilhões em ativos reportados ao fim do quarto timestre. Os ETFs de títulos da empresa têm se beneficiado nos últimos meses dos investidores que aportam recursos em seus produtos à medida navegam em um cenário de juros em alta.

Os clientes injetaram US$ 47,1 bilhões em ETFs de renda fixa no quarto trimestre, mais de US$ 10 bilhões a mais do que o aportado no período anterior. Ao mesmo tempo houve uma retirada de US$ 32 bilhões dos produtos de gestão de caixa da BlackRock, em comparação com a saída líquida de quase US$ 40 bilhões no terceiro trimestre.

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