Ibovespa sobe 2% com perspectiva de PEC da Transição com menos gastos

Investidores monitoram noticiário político local e sinalizações de juros ao redor do mundo em meio à forte pressão inflacionária

Ações brasileiras avançam em sessão de cautela no exterior
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Bloomberg Línea — O Ibovespa (IBOV) avança cerca de 2% nesta terça-feira (20) e o dólar recua quase 2%, por volta das 17h40, descolado do sentimento de cautela no exterior e com investidores acompanhando o noticiário político doméstico.

Por aqui, em dia de agenda de indicadores econômicos esvaziada, as atenções recaem sobre a votação da PEC da Transição pelo plenário da Câmara dos Deputados.

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O Ibovespa abriu em alta e acelerou o ganho perto do meio-dia, com informações de que a Câmara poderia votar e aprovar uma versão com menor impacto fiscal, abaixo dos R$ 145 bilhões fora do teto de gastos por dois anos que constaram da versão que recebeu aval do Senado no começo do mês.

No fim, o valor de R$ 145 bilhões foi mantido, mas o prazo de duração foi reduzido para um ano, em 2023, o que reduz o impacto fiscal da proposta. Juros futuros caíram em reação de investidores à medida.

O texto, aprovado pelo Senado há duas semanas, é tido como prioritário pela equipe do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O novo governo tenta garantir recursos para o pagamento do Bolsa Família com parcelas de R$ 600, além de um adicional de R$ 150 a famílias com crianças de até seis anos.

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Juros mais altos no Japão

Na cena externa, os rendimentos do Tesouro dos Estados Unidos subiram e as bolsas globais passaram a oscilar depois que uma súbita mudança hawkish (isto é, favorável a juros mais altos) do Banco do Japão (BOJ, na sigla em inglês) fez o iene disparar e aumentou as expectativas de que ele se juntaria a outros bancos centrais no ciclo de aperto monetário.

Em Wall Street, os índices futuros de ações do S&P 500 e da Nasdaq recuavam antes da abertura, com a atenção dos investidores voltada para os dados de moradia e emprego que serão divulgados nesta semana e irão fornecer um termômetro da economia dos Estados Unidos. Sinalizações de uma desaceleração da atividade poderá permitir margem de manobra ao Federal Reserve em sua campanha de aumento dos juros.

Muitos economistas esperam agora que o BOJ aumente as taxas de juros no próximo ano, juntando-se ao Federal Reserve, ao Banco Central Europeu e outros após uma década de estímulos extraordinários.

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“Uma política mais rígida do BOJ removeria uma das últimas âncoras globais que ajudou a manter os custos dos empréstimos em níveis baixos de forma mais ampla”, disseram analistas do Deutsche Bank a clientes, observando que o movimento do BOJ ocorreu quando os mercados “já estavam cambaleando” com o BCE e a novas projeções do Fed na semana anterior.

Até agora, o BOJ tem sido uma exceção entre os bancos centrais, a maioria dos quais endureceu rapidamente a política monetária. A autoridade monetária japonesa ajustou seu programa de controle da curva de juros para permitir que os custos dos empréstimos de 10 anos subissem para cerca de 0,5%, contra o limite superior anterior de 0,25%, contrariando as previsões de nenhuma mudança em sua reunião de política monetária.

Confira o desempenho dos mercados nesta terça-feira (20):

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  • Por volta das 17h40 (horário de Brasília), o Ibovespa avançava 2,06%, aos 106.900 pontos;
  • O dólar à vista recuava 1,90%, negociado a R$ 5,21;
  • Entre os contratos de juros futuros, o DI para 2027 recuava 44 pontos base, a 13,17%, às 17h40;
  • Nos EUA, às 17h40, os índices futuros oscilavam: o Dow Jones subia 0,35%, o S&P 500, 0,16%, enquanto o Nasdaq tinha alta de 0,11%;
  • Na Europa, o movimento foi de queda: o índice CAC-40, de Paris, caiu 0,35%.

-- Com informações da Bloomberg News

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